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sexta, 18 de setembro de 2020
Cidades

Enquete: maioria concorda com desligamento de radares em rodovias federais

Para o presidente Jair Bolsonaro, a fiscalização eletrônica 'em sua grande maioria têm o único intuito de retorno financeiro ao estado'

29 abril 2019 - 10h40Por Luis Abraham

Em meio a decisões polêmicas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende tomar uma medida drástica: cancelar a instalação de 8 mil radares em rodovias federais, bem como revisar contratos de radares já instalados nas estradas controladas pelo governo federal.

A enquete da semana do TopMídiaNews quer saber: você concorda com o desligamento dos radares nas rodovias federais? Cerca de 55% dos votantes concordam com o posicionamento do governo, enquanto 45% são contra a decisão de retirar os dispositivos.

O que o governo diz

“Após revelação do Ministério de Infraestrutura de pedidos prontos de mais de 8.000 novos radares eletrônicos nas rodovias federais do país, determinei de imediato o cancelamento de suas instalações”, escreveu o presidente no Twitter. “Sabemos que a grande maioria destes têm o único intuito de retorno financeiro ao estado [sic]”, completou Bolsonaro.

A medida, no entanto, foi suspensa por ordem judicial e aguarda o andamento do processo.

Controvérsia

Mas o que dizem os números? Em 2008, só no Rio de Janeiro, 492 pessoas perderam a vida em acidentes nas estradas que cortam o estado. Dez anos depois, em 2018, foram 276, uma queda de 44%, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Para Renato Campestrini, gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária, a afirmação do presidente não se sustenta. O especialista em trânsito e segurança afirma que os radares são a mais justa forma de fiscalizar abusos de velocidade, uma vez que só são autuados aqueles condutores que efetivamente estão acima do limite estabelecido. A suspensão dos equipamentos, segundo ele, teria um grave custo social.

De acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), um acidente com morte tem um custo total de R$ 351.141,00. O valor leva em conta doze fatores, como as perdas de produção e impacto familiar, os custos médico-hospitalares, danos ao mobiliário urbano e propriedade de terceiros, resgate das vítimas, remoção de veículos, processos judiciais e danos aos veículos, entre outros. Portanto, as 27 mortes registradas no trânsito no entorno de Jundiaí, São Paulo, ano passado tiveram custo total de R$ 9,4 milhões. Com a implantação dos radares, a Prefeitura prevê gastar R$ 6,5 milhões em 12 meses.

Para se ter uma ideia de como um aumento mínimo da velocidade média influi no tráfego, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o aumento na velocidade média no trânsito está diretamente relacionado tanto à probabilidade de ocorrência de um acidente quanto à gravidade das suas consequências. De acordo com a OMS, o acréscimo de 1% na velocidade média produz, por exemplo, um aumento de 4% no risco de acidente fatal e de 3% no risco de acidente grave. O risco de morte para pedestres atingidos frontalmente por automóveis aumenta consideravelmente (4,5 vezes de 50km/h para 65km/h).

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