O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Ruy Celso Barbosa Florence, convocou uma coletiva nesta tarde (29), para esclarecer as dúvidas da sociedade sobre as investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que corre em sigilo, sobre os empréstimos feitos com agiotas por pessoas ligadas ao atual prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP).
"A suposta compra de vereador em Campo Grande partiu de um agiota que atua na Capital, Essa coletiva é justamente para acalmar os ânimos da cidade, já que toda hora um fala uma coisa, especulações disso, de quem entra ou sai. Isso já está gerando um alvoroço sem fim, por isso vamos esclarecer os diversos pontos", afirmou Florence. Questionado sobre a quebra de sigilo,o magistrado foi incisivo, “Como não posso quebrar o sigilo se eu sou o juiz? Se eu quiser quebrar, eu quebro”, alfinetou Ruy Celso.
Apesar dessa solicitação, o desembargador deixou claro que não pretende encerrar o sigilo da investigação, alegando que é necessário para o sucesso dos trabalhos do grupo de atuação.
O magistrado disse que apenas autorizou as medidas que foram pedidas pelo Gaeco, a partir de informações de que haveria um esquema de agiotagem para se conseguir dinheiro emprestado para compra de vereadores em Campo Grande. “O mandado de busca e apreensão foi apenas para os documentos, CDs e pen drive”.

Questionado sobre os valores, quem seria o agiota e quais os nomes ou quantos vereadores estariam envolvidos, o desembargador desconversou e alegou novamente sobre sigilo.
Porém, Ruy Celso informou que tanto o prefeito quanto os vereadores sabiam exatamente do que se tratava as investigações, pois conforme ele, nos mandados estavam escritos os motivos pelos quais o Gaeco apreendeu os materiais na casa do prefeito e notificou os vereadores Eduardo Romero, Flávio César e Otávio Trad, todos do PtdoB, que foram ouvidos na investigação.
Ruy encerrou a coletiva dizendo que não sabe quem são os investigados. "Primeiro o órgão está coletando os documentos, provas e depoimentos e depois poderemos pedir ou não, a prisão de alguém. Eu estou sendo sincero com vocês, não sei quem está sendo investigado, qual é o instrumento e o objeto dessas investigações", concluiu o desembargador.

Entenda
Essa investigação começou em outubro do ano passado, mas se tornou pública no último dia 11 , quando o Gaeco cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do prefeito Gilmar Olarte. Eles recolheram documentos, pendrives e computadores. No local, dois guardas municipais foram presos por porte ilegal de arma de fogo. Os suspeitos informaram que faziam a segurança do chefe do Executivo e foram soltos no mesmo dia, após pagamento de fiança.
No dia 12 de abril, um pastor, um jornalista e um funcionário de uma empresa de factoring também foram ouvidos por causa da investigação.
Conforme o Gaeco, 12 pessoas já foram ouvidas. Os vereadores Otávio Trad, Flávio César e Eduardo Romero, todos do PT do B, prestaram depoimento na última quarta-feira (23), no prédio do Ministério Público Estadual (MPE). O advogado que representa os parlamentares,Valdir Custódio da Silva, afirmou que os clientes foram ouvidos como testemunhas e não como investigados.
Também foram convocados pelo órgão, um secretário da prefeitura, além de um ex-assessor parlamentar que trabalhou na Assembleia Legislativa. O prefeito Gilmar Olarte também foi intimado. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a data do depoimento dele ainda não foi definida.








