Maior favela de Campo Grande, a comunidade Cidade de Deus não tem prazo para acabar, mesmo com promessa do prefeito Gilmar Olarte, feita há dois meses. Enquanto isso, as cerca de 470 famílias que moram no local sofrem com problemas básicos, como da falta de energia elétrica.
Os moradores reclamam que Olarte prometeu realocar todas as famílias em terrenos públicos, que faria loteamentos sociais para a população e um mutirão para a fabricação dos tijolos, de forma que eles consigam construir as casas. Mas até o momento, os moradores dizem que Olarte ainda não apresentou nenhuma posição sobre o assunto.
O chefe do Executivo prometeu, na mídia, que acabaria com a Cidade de Deus, e levantou diversas hipóteses para o destino dos moradores do local. A última é mudar as famílias para terrenos públicos na região do Bairro Noroeste.
Dor de cabeça
Problema constante na vida de quem mora na favela, é a questão da energia. Desde que a Enersul pôs fim nas ligações clandestinas, os barracos têm sido alimentados por dois geradores e as máquinas funcionam apenas em alguns horários. "É muito difícil, aqui a luz chega às 18h e acaba às 6h da manhã, não podemos ter uma geladeira, não temos água gelada para beber, isto é algo desumano, nem animal vive assim. Se a gente tivesse nosso terreno, dava para ter uma geladeira, porque a luz iria ficar 24h por dia", disse a moradora Samara de Souza.

Foto: Deivid Correia
Segundo o casal, Arcilei Oliveira da Silva de 59 anos e Rita de Moura de 54, ficar a espera de dias melhores é a única esperança que ainda existe. "Queremos apenas uma moradia, aqui não temos Agentes de Saúde, não temos como ir ao médico, não temos endereço fixo. Quando vamos ao posto saúde e dizemos que moramos aqui na Cidade de Deus, eles não nos atendem, mesmo a gente estando com o cartão do SUS nas mãos. Mas acredito que o maior problema é a questão dos alimentos estragarem pelo fato da gente não ter uma geladeira. Como a energia só vem a noite, acaba estragando tudo. Se eu cozinho um pouquinho de feijão de manhã, tenho que rezar para o dia não ficar muito quente e não estragar até a janta", relatam.
Ainda de acordo com o casal, que trabalham com reciclagem, os dois tem muitos problemas de saúde e necessitam de médicos. "Temos hipertensão e acho uma discriminação não nos atenderem. O posto é público e eles não podem negar atendimento assim. Peço a ajuda da prefeitura para que apresentem uma solução. Nem televisão aqui da para ter, vivemos assim, totalmente desenformados", lamenta Rita.

Foto: Deivid Correia
As famílias dizem que Gilmar prometeu o prazo para as entregas dos lotes seria até dezembro, mas como até agora nada mais foi dito e a população fica apreensiva. "Não sei nem onde posso matricular minha filha que vai começar a estudar no ano que vem. Tenho medo de fazer a matrícula em uma escola aqui perto e ele nos mandar para um bairro longe. O prefeito disse que iria dar o lote, mas não sabemos onde. Queremos uma moradia digna porque é muito complicado morar aqui com criança e a luz só funcionando a noite. Trabalho durante o dia e quando a energia vem a noite, que eu consigo fazer os serviços daqui do meu barraco", disse a jovem Carolina Coene.








