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Cidades

Grãos movediços: mortes em silos são mais comuns do que se pensa em MS

Em pouco mais de um ano, quatro pessoas morreram soterradas em armazéns agrícolas no Estado

18 novembro 2018 - 07h00Por Amanda Amaral

Entre agosto de 2017 e outubro de 2018, quatro pessoas perderam a vida ao serem sugadas por grãos em silos de armazenamento em Mato Grosso do Sul. O levantamento considera apenas os casos publicados pela imprensa, mas os números podem ser maiores.

O último caso foi no dia 29 de outubro. Luiz Vieira da Silva, 53 anos, morreu após desabamento de um silo com 17 toneladas de milho em propriedade rural em Vicentina. Em 18 de maio, Alex Gaoyso Cardozo, 26 anos, teve problemas cardiorrespiratórios e faleceu após ser sugado pela soja em um silo em Porto Murtinho.  

Luiz Vieira da Silva faleceu em outubro, em Vicentina (Foto: Arquivo familiar)

Os equipamentos são estruturas metálicas usadas para armazenar grãos, evitando que estraguem e permitindo que vendedores ganhem tempo para negociá-los, e têm capacidade de guardar muitas toneladas de soja, milho, ração e outros grãos. Sem equipamentos de segurança, quem tenta caminhar ou cai sobre esses grãos é vítima de efeito de sucção similar ao da areia movediça.

Conforme dados do Observatório do Trabalho do Ministério Público do Trabalho divulgado em 2018, 12 pessoas foram esmagadas ou sofreram contusão em silos, tanques, ou paiol entre 2012 e 2017 em Mato Grosso do Sul. Vítimas de corte, laceração ou ferida contusa foram a maior parte, 14 casos. Sofreram fraturas 11 trabalhadores, enquanto um sofreu amputação.

Contudo, reportagem da BBC Brasil sobre o assunto alerta para números bastante superiores, considerando também casos noticiados pela imprensa. Conforme a publicação, desde 2009, ao menos 106 pessoas morreram em silos de grãos no país, a maioria por soterramento. 

Filho viu pai morrer soterrado em silo em Sete Quedas. (Foto: Tudo MS)

Em 11 de agosto de 2017, Carlos Ney Arruda , 55 anos, foi encontrado sem vida em um silo com soja em Maracaju. No mesmo ano, em 28 de setembro de 2017 o filho de Adalgoberto Rodrigues Miranda, 56 anos, viu seu pai morrer soterrado por toneladas de milho também no tipo de armazém, em Sete Quedas.

Em alguns casos, o trabalhador cai nos grãos e é soterrado após passar mal com gases tóxicos produzidos por sua fermentação, que pode causar morte. As normas de segurança em silos incluem o uso de sistemas de ventilação e de detecção de gases tóxicos e cordas que impeçam o soterramento, mas há falhas em fiscalizações do tipo.

Em 2015, uma das vítimas em Mato Grosso do Sul foi uma criança. Um menino de oito anos foi soterrado quando brincava em um silo na fazenda dos avós, em Três Lagoas. Silos que armazenavam milho e soja predominam entre os locais de acidentes fatais, mas também houve mortes em armazéns de arroz, café, açúcar, ração animal e feijão. 

Silos que armazenam grãos. (Foto:Ilustração/Pixabay)

Os Estados que tiveram mais casos são os mesmos que lideram o ranking de produção de grãos, Mato Grosso, com 28 casos desde 2009, Paraná, 20, Rio Grande do Sul,16, e Goiás, 9. Houve mortes em 13 estados, em todas as regiões do País.