A comunidade do tekohá Nhanderu Marangatu, de famílias indígenas Guarani e Kaiowá, sofreram ataques orquestrados por ruralistas na última tarde deste sábado, 29 de agosto, em Antônio João, no Mato Grosso do Sul. Isolados, os Guarani e Kaiowá passam fome e necessidades.
O Coletivo Terra Vermelha organiza uma campanha de doação de alimentos, que devem ser levados até a sede do MST (Movimento sem terra), em Campo Grande. Após o assassinato do líder indígena Semião Vilhalva, além do ataque a crianças e outras pessoas da ocupação, o DOF (Departamento de Operações de Fronteira) realiza escolta aos ruralistas que bloquearam a estrada.
As lideranças Guarani e Kaiowá relataram no início da noite de domingo, 30, que o caixão com o corpo de Semião Vilhalva, foi entregue à comunidade por um motorista terceirizado da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
As autoridades policiais não informaram aos Guarani e Kaiowá ou à Fundação Nacional do Índio (Funai) se o corpo de Semião passou por perícia de legistas federais. O Ministério Público Federal (MPF) do Mato Grosso do Sul não foi chamado para acompanhar o procedimento ou informado de sua realização. Os indígenas também afirmam que a Funai (Fundação nacional do índio) não compareceu ao tekohá.
Os soldados fazem um cordão de isolamento entre a sede da Fronteira e os Guarani e Kaiowá. A fazenda é da presidente do Sindicato Rural de Antônio João, Roseli Maria Ruiz, que liderou o ataque dos fazendeiros. Depois da ação violenta deste sábado, a sede da fazenda ficou tomada pelos ruralistas.
Os parentes de Semião afirmam que o tiro que o matou, às margens do córrego Estrelinha, partiu da sede da fazenda. Parte do Tekohá incide nas fazendas “Fronteira”, “Itá Brasília”, “Piqueri Santa Cleusa” e “Morro Alto”.
A demarcação de Nhanderu Marangatu
A Terra Indígena Ñande Ru Marangatú, localizada no município de Antonio João, é reivindicada há décadas pelo povo Kaiowá-Guarani de Mato Grosso do Sul. A partir do final da década de 1940 e meados da década de 1950 as famílias começaram a ser expulsas de seu território por fazendeiros.
Em 1983, na aldeia “Campestre”, Marçal de Souza Tupã’i foi covardemente assassinado. Tratava-se de uma das lideranças indígenas mais importantes e conhecidas no Brasil por sua luta pela demarcação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu.
O procedimento administrativo de identificação e delimitação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi iniciado em 09 de abril de 1999, nos termos do previsto no Decreto nº. 1.775/1996 e concluído no ano 2001, com o reconhecimento da terra tradicional dos Kaiowá com extensão de 9.317 hectares.
Desde então, foi travada uma forte resistência junto à justiça e órgãos protetores como a Funai, para que fosse cumprida a homologação das terras, em sua grande maioria sem sucesso, resultando na expulsão desses povos para as estradas. Os indígenas sofreram com ataques que resultaram em mortes, condições de vida precárias a alto índice de desnutrição, que chegou a 27, 54% em 2003.

Divulgação da campanha do Coletivo Terra Vermelha
Serviço
As doações de alimentos podem ser levadas à Sede do MST em Campo Grande, na Rua Juruena, n. 309, bairro Taquarussu.







