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Cidades

Após 4 anos, hospital pode pagar R$ 650 mil por morte de criança indígena

07 abril 2016 - 16h19Por Da assessoria

O Hospital Regional de Campo Grande e a União podem pagar R$ 650 mil por danos morais pela morte de uma menina indígena de quase dois anos de idade, em dezembro de 2012. O MPF/MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) ajuizou a Ação Civil Pública, que ainda vai ser analisada pela Justiça.

A menina, chamada Lilian Eliandres Amaral, da tribo Ofaié-Xavante, passou 140 dias internada, passando por quatro hospitais entre Brasilândia e a Capital, apresentando desnutrição, anemia e infecção de vias aéreas.

No dia 8 de dezembro daquele ano, ela recebeu do Hospital Regional, onde estava internada, com documentos registrando melhora dos sintomas. Porém, quatro dias depois, Lilian deu entrada no Hospital Júlio Césas Paulino Maia, em Brasilândia, com diarreia, febre e desnutrição grave, necessitando nova transferência para Campo Grande.

Lilian faleceu no dia 16, após complicação do seu quadro de saúde. Na Ficha de Óbito dizia que a causa da morte foi falência múltipla de órgãos, hemorragia, desnutrição grave e infecção generalizada.

Para o MPF, o hospital de alta a uma paciente que ainda se encontrava debilitada, sendo responsável pela morte da pequena indígena. Ainda segundo o MPF, o caso revelou falha permanente e prolongada do serviço, que não atingiram apenas Lilian e sua família, pois outras pessoas da aldeia também foram expostas à mesma precariedade de atenção e atendimento.

Neste processo, a União será responsável por pagar R$ 500 mil, que devem ser investidos no atendimento à saúde dos indígenas, e R$ 150 mil o hospital deve pagar à família de Lilian. O MPF atestou também que nos últimos 13 anos, mais de dois mil índios morenas no Mato Grosso do Sul por causas que poderiam ter sido evitadas caso houvesse atendimento adequado.