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Cidades

Mandela deixa legado para próximas gerações, diz Coordenadora da Igualdade Racial

07 dezembro 2013 - 13h20Por Ana Rita Chagas

A morte do ativista político Nelson Mandela repercutir em todo o mundo esta semana. Lideranças dos mais variados segmentos e integrantes de movimentos sociais manifestaram condolências e respeito a história do líder que é símbolo de resistência e luta pela igualdade entre povos.

Em entrevista concedida para o Top Midia News, a Coordenadora Especial de Políticas para a Igualdade Racial em Mato Grosso do Sul, Raimunda Luzia de Brito disse que a morte de Mandela é um divisor de águas. “Mandela se vai deixando um legado que fará a diferença para as próximas gerações. Ele é para nós um ícone, e sua morte nos deixa um vazio que dificilmente vai ser ocupado. Poucas pessoas têm a capacidade que ele teve de ficar 27 anos na prisão e sair de lá sem guardar resquício, raiva, ou revanche”, disse.

A advogada, também é assistente social e é enfática ao lembrar os feitos do maior líder político de todos os tempos. “Ele venceu barreiras sendo o primeiro presidente negro da África do Sul, em um momento em que a segregação racial corroia a alma daquele país. E o trabalho dele foi sensibilizar o povo negro de que não adiantava revanche, mas sim a afirmação enquanto povo para ser respeitado”, destaca. 

Vivência - Raimunda Brito coordena, em MS, trabalhos voltados para comunidades quilombolas. Ela assegura, em uma perspectiva panorâmica que a atual conjuntura política permitirá uma reflexão sobre a figura de Nelson Mandela, já que ele representa a conquista dos direitos civis, até então assegurados a uma minoria.  “ Quando é que nós vamos deixar os resquícios entre nós,  entre branco, entre índio,  e toda essa salada de povos  que compõem  o povo brasileiro . Eu vejo  que isso tudo é uma lição muito grande. Uma lição de amor, que nos proporcionará  um crescimento enquanto seres humanos”, ressalta.

Raimunda Luzia de Brito esteve na África do Sul em 2004, segunda ela com a experiência constatou mudanças significativas no país. “A maioria das pessoas procura ajudar, dar as mãos, dar boas informações. Acredito que, de maneira geral, o país progrediu muito, claro que ainda precisa ser feito muito coisa, mas o mais importante é que além dos brancos, os próprios negros se aceitam”, observa.

Nelson Mandela- Nelson Rohlihla Mandela faleceu, em casa, na última quinta-feira (5)  aos 95 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar, em Johanesburgo. Sinônimo do engajamento político, Mandela nasceu numa pequena comunidade rural na província de Eastern Cape, em 1918, e teve uma educação privilegiada para os padrões locais.

Conseguiu formar-se como advogado e atuou como dirigente da liga juvenil do Congresso Nacional Africano, mais conhecido pela sigla em inglês ANC, organização fundada no começo do século XX para lutar pela igualdade racial.

Mandela foi libertado em 1990, aos 71 anos de idade, quando o regime do  Apartheid estava sendo desmontado. Ao sair da prisão ele exibia um sorriso e falava de seu sonho de um país onde fosse respeitada a dignidade de todas as pessoas, com paz, democracia e liberdade para todos. 

Em 1993, o sul-africano recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Em 1994, Mandela foi eleito presidente, em eleições multirraciais, e se aposentou em 1999, quando entregou o poder a líderes mais jovens.A última grande aparição de Mandela mundialmente foi em 2010, quando participou da cerimônia da Copa do Mundo de futebol. Na ocasião, foi ovacionado por 90 mil pessoas no estádio em Soweto, bairro onde se tornou líder da resistência.