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Produtores rurais promovem manifesto para discutir a situação dos conflitos rurais

Conflitos Rurais

5 FEV 2014
Aline Oliveira
07h00min
Produtor rural Pedro Pedrossiam Filho - Foto: Arquivo Pessoal

 

Na próxima sexta-feira (7), será realizada na praça do Rádio Clube, a partir das 14h, uma manifestação de produtores rurais de todo Estado e de várias regiões do país. Trata-se do “Grito do Produtor”, um movimento no qual os proprietários querem mostrar a população sua indignação com relação aos conflitos rurais e como o assunto vem sendo tratado pelo governo federal.

 

Um dos líderes da iniciativa é o produtor rural, Pedro Pedrossiam Filho, proprietário de uma área no município de Miranda (200 km de Campo Grande). Ele quer levar ao conhecimento da população, a realidade enfrentada por produtores que não conseguem retomar as terras invadidas pelos movimentos indígenas.

 

“Estamos convidando todos os cidadãos que enfrentam esta situação para desmistificar a imagem criada por partidos e grupos ideológicos que nós somos os vilões desta história. Querem que a população acredite que nós somos errados e a Funai certa, mas, isso será desmascarado”, revelou.

 

De acordo com Pedrossiam Filho serão discutidas pautas prioritárias da categoria, como o veto do congresso a abertura da CPI da Funai, a demora em aprovar a PEC 215 e os laudos que serão utilizados para indenização dos proprietários com terras invadidas em Mato Grosso do Sul. “Em Miranda presencio diariamente ao sofrimento de produtores que não podem retomar suas terras para trabalhar. Participarão do manifesto desde micro produtores com dois a 15 hectares, até os que possuem áreas maiores. Estamos conclamando o apoio de todos para que possamos sensibilizar o poder público para nosso problema”, destacou.

 

Demarcação – O Ministério da Justiça entregou no dia 7 de janeiro ao Incra, o resultado dos estudos realizados nas áreas invadidas no Estado. Na avaliação do produtor, a forma como foi feita está incorreta e injusta. “Não aceito o resultado do laudo que emitiram. Um estudo desta natureza teria que ser feito por profissionais especializados e imparciais. Agora, nos entregam o documento feito pela Funai que é a maior interessada em desqualificar o valor das áreas e das benfeitorias realizadas e temos que aceitar passivamente, isso não faremos. Até porque eu não quero vender minhas terras, eles (Funai) é que querem comprar”, desabafou.

 

Pedrossiam Filho levantou outra questão polêmica que é a participação da bancada ruralista no congresso nacional. Segundo eles, alguns representantes vem utilizando o assunto como arma de campanha política. “Nós sabemos muito bem quem apoia realmente a causa dos produtores e quem só quer utilizar no palanque. Acompanhamos de perto as negociações e podem ter certeza que utilizaremos a mesma medida na hora de votar, pois, estamos cansados de promessas que não são cumpridas”, pontuou.

 

O produtor contou ainda que no último fim de semana (1) um grupo de 50 homens tentou invadir novamente sua propriedade em Miranda. “ O grupo chegou de ônibus e se espalhou em frente a minha fazenda e acharam que eu iria me intimidar. No entanto, fui lá e perguntei o que estava acontecendo e eles foram irônicos comigo. Tranquei a porteira e lá permaneci e como eles viram que eu não iria deixá-los entrar, foram embora escoltados por um carro vermelho”.

 

Além de organizar o manifesto, o produtor vem documentando ao longo do conflito, uma série de entrevistas com pequenos produtores vizinhos que estão ameaçados. Recentemente fez uma grave denúncia, exibindo documentos que mostram que enquanto vários produtores de MS tentam na Justiça, negociar suas áreas para que não saiam sem nada, a Funai entrou em negociação com um pequeno produtor rural que possui área em frente a sua propriedade. “Minha luta é para mostrar o lado do produtor rural na questão indígena e por isso, busco a união de todos para resolvermos o problema. Nós somos trabalhadores honestos que ajudamos a construir este país e queremos ser respeitados em nossos direitos”, finalizou.

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