Há dois dias da sexta da paixão (18), começou a correria em peixarias e queijarias de Campo Grande. Tudo para garantir os pratos típicos que a tradição manda, como por exemplo, a sopa paraguaia e a chipa. E muitos campo-grandenses saíram nessa quarta (16), em busca de um dos principais pratos da semana santa, o peixe.
O Mercado Municipal Antônio Valente, o tradicional Mercadão, teve seu primeiro dia de corredores abarrotados de pessoas andando com sacolas com fubá, polvilho, queijo curado ou até mesmo fresco.
Um dos exemplos, foi a Peixaria do Mercado que amanheceu lotada e assim permaneceu até o final do dia, garantiu o proprietário e vice presidente da Associmec (Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal de Campo Grande), Cleuber Linares. Tanto movimento, que causou congestionamento na Rua 15 de Novembro e até agentes de trânsito foram chamados para a orientação dos motoristas que passavam pelo local.

"A grande maioria deixa pra comprar na última hora mesmo, na expectativa de encontrar preços menores. Mas o preço não muda, é o mesmo da quaresma inteira. Estamos bem abastecidos e temos um grande estoque. Hoje começou a correria e assim vai ate na sexta ao meio dia quando fechamos as portas”, conta o proprietário.
Mesmo que o consumidor não perceba, o valor do pescado subiu e não foi pouco. O aumento foi de 8% a 15% em relação ao ano passado em todas as peixarias da Capital.
Para o micro empresário, Eliaser Vieira, um dos entrevistados pela equipe de reportagem do Top Mídia News , percebeu o aumento do pescado. Ele disse que está indo as compras adiantado justamente para fugir do tumulto. "Eu vim com minha esposa para comprar umas coisas e aproveitei para passar no mercadão e garantir as minhas sardinhas, já que estão bem em conta", revelou.

Já a professora aposentada, Marlene Cassimiro, saiu do mercadão carregada de sacolas, todas com queijo curado e muito polvilho para fazer as sopas paraguaias, assim alegrando o convívio familiar. "Lá em casa todo ano é tradição. Somos de Corumbá e esse ano vem minha sobrinha, primos tudo passa com a família. Preservamos a tradição que nossos avós passaram e sempre tem nessa época muita chipa e sopa em casa", afirmou a professora.
No meio do tumulto o aposentado Valdemir Rojas, se destacava no meio de todos pela agilidade com suas compras e no pedido do seu pescado. "Todo ano venho aqui comprar meu pintado. Ele lá em casa não pode faltar, na sexta feira santa principalmente. Nossa família faz de tudo para preservar as tradições. Temos sangue paraguaio nas veias e aprendemos o costume de comer esses pratos desde pequeno", garantiu o aposentado.

Tradição
Falando em tradições e costumes a proprietária de uma banca de polvilho, Glória Maria Gonçalves, 36 anos, garante que a cada passar dos anos a tradição de fazer as famosas chipas e as sopas paraguaias parece diminuir. "Eu acho que estamos perdendo infelizmente as nossas origens. Eu estou há 10 anos no Mercadão e antigamente eu cheguei a vender 20 bolsas de fubá hoje no máximo são 6 bolsas de 10 quilos. Tem gente que nem liga mais e come carne vermelha normalmente na quaresma", opinou Glória.
Compartilha da mesma ideia o proprietário de uma queijaria, o Senhor Nilo Cândido, 52 anos. "Esses três dias serão bons de movimento com certeza, mas antigamente o movimento era maior. Você não conseguia andar por esses corredores . O meu queijo está praticamente o mesmo valor do ano passado", avalia o comerciante.
Pesquisa
Conforme uma pesquisa divulgada pela Fecomércio, o consumo de peixes na Semana Santa deverá movimentar além dos supermercados em até em lojas especializadas. O pintado é a escolha de 23%, seguido do pacu 21% e do dourado 10%. O preferido dos peixes secos é o bacalhau representando 19%.
O segmento deve movimentar R$ 69,4 milhões e o peixe estará na mesa de 56% dos entrevistados. A intenção de compra foi pesquisada em 13 municípios de Mato Grosso do Sul: Aparecida do Taboado, Aquidauana, Anastácio, Campo Grande, Chapadão do Sul, Corumbá, Dourados, Ladário, Naviraí, Paranaíba, Ponta Porã, São Gabriel do Oeste e Três Lagoas.








