Em meio à crise financeira que assume a prefeitura de Campo Grande, o prefeito Gilmar Olarte (PP) mantém firme a decisão de levar a diante o seu projeto pessoal de lançar neste domingo (12), às 9 horas da manhã, o Centro Municipal Pediátrico, conhecido como o Hospital da Criança do SUS. Sem aval do Conselho Municipal de Saúde que vetou o projeto, o "postão" deve funcionar de forma parcial inclusive os atendimentos serão inferior aos da Unidades de Pronto Atendimento (UPA) mais capacitadas, criando assim uma falsa esperança de "melhora" a Saúde para a população.
O Conselho Municipal de Saúde se manifestou contra a criação do Hospital e acusa o prefeito Gilmar Olarte (PP) de transferir R$ 4,6 milhões que poderiam concluir os postos de saúde e as UPAs que estão com as suas obras paralisadas para priorizar o Centro Municipal Pediátrico Infantil. Conforme o levantamento, das 17 obras, 14 são Unidades Básicas de Saúde de Família (UBFS) e três UPAs. O custo total seria de R$ 27 milhões, sendo R$ 12,5 milhões investimentos feitos pelo Ministério da Saúde e R$ 14,5 milhões que seriam contrapartidas da prefeitura.
A decisão de levar o projeto adiante pode obrigar o Conselho a proibir o prefeito de ter acesso ao Fundo Municipal de Saúde, justamente por fazer com que o Hospital da Criança entre em funcionamento sem autorização do órgão. Outro ponto que levou o Conselho a rejeitar o projeto foi a falta de detalhamento que não foi encaminhada para o órgão. O prazo para o envio terminava nesta sexta-feira (10). Com isso, o órgão poderia acionar o Ministério Público Federal (MPF) por meio de denúncia de improbidade administrativa.
Outra polêmica está ligada ao Decreto n. 12.447/2014, de 16 de setembro de 2014, que favorece altos salários aos médicos que irão atender no Centro Pediátrico, isto causa diferenciação entre os servidores do município e pode causar uma esvaziamento de profissionais que trabalham nas unidades de saúde diminuindo ainda mais a escassez de profissionais na rede pública de saúde.

Em meio a todos esses questionamentos, Olarte mandou na última sexta-feira (10), durante agenda pública, um recado para aqueles que estão 'contra a saúde de Campo Grande'. "Quem for contra a Saúde de Campo Grande ou contra a criação do Centro Pediátrico, que desejam ver crianças morrendo e pessoas sem fazer operação, se posicionem. Cheguem e falem: 'eu sou contra a saúde!'", ironizou.
Ainda assim, Olarte também não conseguiu explicar para os vereadores da oposição quais foram os reais motivos do arrendamento do Hospital Sírio-Libanês, ele não consultou o Conselho de Saúde do Município, paga aluguéis no valor de R$ 194 mil/mês.
Centro Pediátrico - Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o Hospital Infantil será focado na humanização, com funcionamento por 24 horas, todos os dias da semana, com capacidade de atendimento aproximado de 300 crianças por dia.
Em uma primeira etapa, o corpo clínico contará com 25 médicos pediatras que atuarão em escalas fixas em seis consultórios médicos. A estrutura do Centro Pediátrico contará no total com 150 profissionais. Além de médicos pediatras, terá 24 enfermeiros, 68 técnicos de enfermagem, seis assistentes sociais, além dos profissionais administrativos e de atendimento ao público. Os custo com pessoal ficará em torno de R$ 7 milhões.

Já o novo espaço de atendimento médico à criança funcionará com 40 leitos para observação e ao lado de cada um dele haverá uma cadeira apropriada para acompanhante, no regime “day clinic – 24 horas.
Em caso de necessidade de internação, a criança será encaminhada para a Santa Casa, contando com o apoio do Samuzinho (Viatura de Suporte Avançado de Vida especializada em Pediatria) que vai funcionar no prédio. O custo total com o hospital será de R$ 24 milhões.
Conforme o secretário municipal de Saúde, Jamal Salem, os recursos estão garantidos e saírão do tesouro do município.







