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terça, 27 de outubro de 2020
Cidades

Moradores do Jardim Jandaia denunciam lixo e mato em áreas públicas

Regiões Campo Grande

06 março 2014 - 07h00Por Aline Oliveira

 

Um terreno localizado no Jardim Jandaia (região do Lagoa), no quadrilátero das Avenidas Marechal Rondon e Coxilhas e as ruas Nova Era e Sete Montanhas vem tirando o sossego dos moradores há mais de 20 anos. Isso porque se trata de uma área particular, em processo de inventário e os herdeiros nada fazem para manter a limpeza e manutenção do local.

 

A líder comunitária Neide Leite Pereira, modelista aposentada e moradora há 23 anos na Travessa Sete Montanhas explica a situação enfrentada pelos moradores e avalia que a Prefeitura de Campo Grande precisa intervir o quanto antes, já que o local congrega lixo, animais peçonhentos e serve até de ponto para usuários e assaltantes que assustam a comunidade.

 

“A proprietária do terreno faleceu e os filhos estão aguardando a conclusão do inventário. Enquanto isso, não zelam, não limpam e nós mesmos (moradores) cuidamos do local. Alguns vizinhos se unem e limpam, daí os donos vem e nos questionam, dizem que pode limpar e até plantar, mas não podemos fazer nada na área”, comenta a moradora.

 

Neide destaca que o loteamento não possui nenhuma área de lazer e que o local propiciaria um espaço para atender os anseios dos moradores. “O poder público poderia desapropriar este terreno e construir uma praça, um centro comunitário, até mesmo uma academia ao ar livre. Mas, como é particular ninguém assume a responsabilidade e nós temos que conviver com toda espécie de perigos”, desabafa.

 

A dona de casa Neli Pereira moradora na mesma rua há 25 anos também reclama da falta de definição sobre o local e conta os apuros que passou. “Já entrou até cobra na minha casa. Quando o mato cresce, tem gente que vem usar drogas e até esconder produto de furtos como motocicletas. E nós temos que ficar calados e conviver com o problema”, relatou.

 

O comerciante João Mendes também é morador antigo, vai completa 30 anos no Jardim Jandaia e é um dos voluntários que limpa o terreno e também aponta problemas cotidianos. “Jogam bicho morto e lixo quando anoitece e na esquina da Sete Montanhas com a Nova Era já aconteceu acidentes graves. O mato estava tão grande que a visibilidade ficou impossível, causando a colisão dos carros. Nós fazemos nossa parte, limpamos, monitoramos, mas é complicado sem apoio dos proprietários ou da Prefeitura”, argumenta.

 

Conscientização – Em outro ponto do bairro, existe um campo de futebol que também está acumulando lixo e aos poucos se tornando o ‘lixão’ do loteamento. A dona de casa, Alvanir Pereira da Cruz detalha os problemas que enfrenta. “Moro aqui há quase 30 anos e sempre sofri bastante com o descaso, ainda mais porque moro em frente ao local. É muita poeira no tempo de seca e mato alto e animais peçonhentos na época de chuva. Minha casa é invadida literalmente por caramujos, escorpiões e outros insetos”, aponta.

 

Alvanir destaca ainda que alguns jovens aproveitam o espaço para realizar ‘cavalinhos de pau’, não se importando com a segurança dos moradores. “Uma área tão grande como essa podia abrigar uma praça, uma pista de caminhada ou mesmo quadra de esportes. Nossas crianças, jovens e idosos não têm para onde ir e enquanto isso nada é feito”.

 

Dona Neide conta que já conseguiu há alguns anos, um projeto para a construção de um espaço de lazer no campo, porém, o documento foi extraviado e agora conta com apoio de um engenheiro que se prontificou em refazer a planta. “Conseguimos o apoio de um profissional que montou um projeto excelente de área de esporte e lazer, mas, infelizmente, sumiram com o documento. Procurei pelo engenheiro e ele ficou de nos ajudar. Agora contamos que os vereadores ou o prefeito nos apóiem na iniciativa de construir um espaço saudável para a comunidade”, revela.

 

Denúncia – Uma moradora que não quis se identificar apontou outro problema de saúde pública que acontece no Jardim Jandaia. Trata-se de uma fábrica que produz frangos, a Frangobelo. Ela conta que os caminhões que transportam o produto estacionam na frente da empresa e os funcionários realizam o descongelamento e lavam os veículos a céu aberto. “Escorre todo aquele gelo e sangue que fica espalhado na rua. Daí vem o sol e o cheiro é insuportável, acredito que isso teria que ser fiscalizado, pois é falta de higiene e de consideração com os moradores do entorno”, analisa.

 

Nossa reportagem tentou entrar em contato com a empresa, mas devido ao final do feriado não conseguimos localizar nenhum responsável para falar sobre o assunto. 

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