Sem prévio aviso e na calada da noite, os geradores da favela Cidade de Deus, a maior de Campo Grande, foram retirados e cerca de 470 famílias ficaram no escuro. O desligamento dos aparelhos ocorreu no início da noite desta quarta-feira (19), logo após o término da chuva que caiu na cidade. Parte dos moradores devem ser transferidos na manhã desta quinta-feira (20) para uma área pública no Jardim Noroeste, porém muitos vão ficar sem moradia.
“Acabaram de retirar os geradores de lá (Cidade de Deus), logo que acabou a chuva foram lá e nem desligaram, levaram tudo embora mesmo, sem qualquer aviso”, denunciou Alcina Reis, tesoureira do Instituto Veredas da Fé e que atua há quase dois anos em projetos sociais na comunidade.
A prefeitura não confirma, mas ela era a responsável pelos dois aparelhos instalados no local, e que mantinham uma mínima qualidade de vida para as famílias, a maioria formada por trabalhadores do lixão de Campo Grande.
“Eu queria saber onde está o Deus desse prefeito”, lamentou Alcina, em referência ao chefe do Executivo, Gilmar Olarte. Em setembro deste ano, a prefeitura entrou com ação para despejo das 470 famílias, mas desistiu após pressão popular.
Olarte chegou a anunciar que criaria loteamentos populares para as famílias, mas a promessa ficou só no papel. O Ministério Público Estadual e a Energisa, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica na Capital, cobram a saída dos moradores do local.
Os moradores foram comunicados que deverão ser retirados da Cidade de Deus às 5 horas desta quinta-feira. Menos de 200 das 470 famílias serão levadas para uma área pública no Jardim Noroeste, onde o “loteamento” de Olarte não passa de um espaço reservado para a construção de novos barracões.
“Desse jeito, a administração só contribui para o aumento da violência e criminalidade”, diz, revoltada, Alcina Reis.
Visita
Hoje pela manhã o Top Mídia News visitou a Cidade de Deus e constatou uma realidade desesperadora. A situação ficou ainda pior nesta noite de quarta-feira (19), sem a energia elétrica.
Os barracos estão sendo tomados por animais peçonhentos, e a população não sabe o que fazer até amanhã.







