O relatório anual realizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mostra que o número de suicídios entre indígenas está crescendo no Estado. Os dados apontam que em 2013 foram registrado 73 casos, entre eles, 72 foram cometidos por indígenas da etnia Guarani-Kaiowá e um em uma aldeia Terena.
Segundo o coordenador regional do Cimi Flávio Vicente Machado, os dados indicam que no ano passado foi registrado o maior número de suicídio entre indígenas, considerando os últimos 28 anos. Ele afirma que a principal causa são os problemas territoriais enfrentados pelos povos indígenas.
"É uma situação bastante complexa, mas que está diretamente ligada a questão territorial que este povo vive, uma vez que as áreas com maior número de suicídios, ou são entre os que sofrem com a superpopulação e consequentemente densidade demográfica alta, não havendo condições para que os jovens tenham perspectivas, ou com a influencia da sociedade em torno às áreas", declarou.
O coordenador ressaltou que o relatório é mais abrangente e abarca questões como os homicídios, omissões do Estado, discriminação e a violência dos povos indígenas do país, no entanto, o enfoque será a questão do suicídio, devido ao aumento dos casos.

"Neste ano chamamos a atenção para a questão do grande número de suicídios que é alarmante. Queremos focar para que as autoridades tomem as medidas efetivas para minimizar o problema. O Governo Federal, Ministério da Saúde conhecem a situação", destacou.
Machado afirmou que na semana passada alguns índices do relatório foram apresentados na Organização das Nações Unidas (ONU), no fórum permanente dos povos indígenas. "Há 30 anos quando as famílias conseguiam se distribuir e produzir, eram baixos ou zero.
O coordenador do Cimi destacou que no Estado existem 76 mil indígenas e que os índices mais elevados foram registrados nos municípios de Amambai, Dourados, Paranhos e na Aldeia Taquaperi em Coronel Sapucaia. Conforme os dados, a estatística 70% dos suicídios são entre homens com idades entre 15 e 29 anos.
Os dados foram apurados pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS) e serão divulgados durante conferência realizada em junho, em Brasília.







