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Cidades

Indígenas da aldeia Água Bonita esperam decisão da Funai para terem melhores condições de moradia

Reivindicação

08 janeiro 2014 - 15h01Por Lucas Arruda

Cedida pelo Estado em 2001, até hoje os 36 hectares de terra da aldeia Água Bonita não pertencem aos indígenas das etnias Guarani, Kaiowá, Kadiwéu, Terena e Guató que habitam o local. Na aldeia falta escola, posto de saúde e até moradia digna para os índios, pois famílias de até cinco pessoas vivem em barracos de um cômodo.

Segundo o cacique da aldeia, Nito Nelso Kaiowá o governo estadual não tem autonomia para dar o título de posse da aldeia, que deve ser emitido pela União, após a área ser reconhecida pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Quando chegaram às áreas demarcadas pelo Estado, haviam 63 famílias. Pelo fato de não terem a posse das terras, os indígenas ainda não puderam se estabelecer adequadamente no local que atualmente conta com 185 famílias.

De acordo com Nito, o Estado já tem todos os documentos para fazer a doação da área, mas a Funai alega que não possui recursos financeiros para repassar a área aos indígenas e que ainda tem que fazer um estudo antropológico do local.

"Não há gastos, pois o Estado irá doar a terra à União. Já foi prometido o reembolso com gastos no cartório se for necessário. Não tem porque eles não cederem a terra à aldeia", ressalta o cacique.


Perda de área

Há alguns anos uma parte da área começou a ser ocupada por não índios, onde atualmente se situa o bairro Tarsila do Amaral. Na atualidade, a área que originalmente era da aldeia pertence à prefeitura. "Quando ela começou a ser ocupada, nós, indígenas, começamos a ocupar também, senão perderíamos as nossas terras, mas agora elas já são do governo municipal", afirmou o cacique Nito Nelson Kaiowá.


Nova ocupação

Em outubro do ano passado, 123 famílias indígenas fizeram uma nova ocupação nos limites da terra cedida, pois uma fazenda estava avançando na área.

Atualmente essas famílias vivem em condições precárias no local, esperando somente a decisão da Funai para conseguirem construir moradias decentes e também participar de projetos do governo relacionados à saúde, educação e assistência social. Em casas com somente um cômodo, de madeira e lona no teto, vivem até cinco pessoas.

"Nós temos projetos de construir escola, posto de saúde, área de lazer, entre outras diversas coisas, mas não podemos, pois a área ainda não é nossa. Já perdemos a construção de uma escola pela administração municipal por conta disso", reclama Nito.


Alfabetização

A escola mais próxima da aldeia fica a mais de 1 quilômetro da aldeia. De acordo com o cacique a comunidade conta com cerca de 200 crianças de 6 a 12 anos e uma escola de alfabetização seria essencial no local.

"Estou com um projeto de fazer uma sala de aula para alfabetizar as crianças ainda este ano em nossa comunidade, pois o número delas  aumentou muito. O espaço a gente já tem, mas não podemos solicitar uma escola, por enquanto uma sala já ajuda", enumera.

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