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Cidades

Peritos do INSS em greve desrespeitam lei e reduzem ainda mais atendimento

22 novembro 2015 - 15h11Por Amanda Amaral

A greve dos médicos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que completou 80 dias neste domingo (22), já adiou cerca de 1 milhão e duzentas mil perícias em todo o país, conforme dados da ANMP (Associação Nacional dos Médicos Peritos). A paralisação, que afeta também as agências de Campo Grande, tem prejudicado quem precisa do atendimento para receber os direitos de auxílio doença ou acidente, por exemplo.

Em Mato Grosso do Sul, são 97 peritos, 65 deles paralisados totalmente, e as pessoas que tem as consultas agendadas relatam que há muita desorganização, não tendo como saber se vão conseguir ser atendidas na data pré-estabelecida. Cerca de 300 atendimentos deixam de ser feitos diariamente em todo o Estado.

Os profissionais pedem, prioritariamente, a redução da carga horária semanal de 40 para 30 horas e estão quase que completamente parados. Pela lei, existe a obrigatoriedade do cumprimento de trabalho de ao menos 30% do efetivo total de cada agência, que estaria sendo cumprida pelos peritos, conforme a assessoria de imprensa regional do INSS.

Contudo, em uma das agências mais movimentadas da Capital, a reportagem encontrou uma situação diferente. Não havia nenhum profissional da categoria no local. Quem realizava o encaminhamento das senhas de atendimento, inclusive, aconselhava a população a ligar na central e reagendar a consulta para outra data, preferencialmente às sextas-feiras, que seriam os dias “mais garantidos”.

O atendente, que pediu para não ser identificado, relatou que de segunda à quinta-feira “nem adianta vir, que não tem médico”. “Tinha que estar esses 30%, mas só atendem excepcionalmente na sexta, o dia foi decidido pelos próprios médicos. Tem gente que vem até de fora, do interior, como a esposa do rapaz que acabei de atender. Por exemplo, desde segunda, quem caiu com a marcação até quinta não é atendido, mas quem teve a sorte de cair na sexta já tem mais chances, 90%, ou daí tenta remarcar pra esses dias ligando na central”.

Afastada durante dois meses do trabalho após sofrer uma fratura em um acidente de motocicleta, uma pessoa que não quis ser identificada relatou todo o processo que precisou percorrer até conseguir retornar à rotina profissional.

“Eu realizei o agendamento pelo site do INSS em agosto, quando os servidores que fazem o atendimento ainda estavam em greve. Estive na agência, mas nem permitiram a minha entrada, pois meu nome não estaria na lista de pessoas que seriam atendidas e mesmo as pessoas que entravam lá foram reagendadas”, conta.

Com o fim da greve dos atendentes, ela diz que então foi informada que teria perdido a data agendada para a perícia, mas que poderia remarcá-la para o dia 18 de novembro. Em seu retorno, novamente a data foi remarcada, dessa vez para fevereiro do ano que vem e em outra agência, pois a mesma estaria com a agenda lotada.

“O atendente me informou que o sistema permite até quatro reagendamentos (três a pedido do INSS e uma do beneficiário), mas que o Governo iria aumentar este limite. Questionei sobre os 30% de atendimento previstos por lei e ele afirmou que apenas casos de emergência, onde a pessoa tem muitas dificuldades de locomoção, estão recebendo atendimento”, completou. Depois de todo esse tempo, ela conta que só conseguiu retornar ao serviço com a autorização do próprio médico, junto a um profissional da empresa em que trabalha.

Os profissionais estão com seus salários cortados desde outubro e, de acordo com o delegado estadual dos médicos peritos, George Martim, nada foi resolvido mesmo após três reuniões com o Governo Federal, através do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

No dia 18 deste mês, a ANMP soltou um comunicado dizendo que não há previsão para o encerramento da paralisação. Abaixo, um trecho da nota:

“Diante da resistência do MPOG em não aceitar efetivar as 30h já no fim da greve, a ANMP se manifestou no sentido de que não há condições, neste momento, de encerrar a greve sem uma garantia sólida e por escrito de que a carreira será contemplada com jornada de 30h com redução proporcional para 20h além dos outros itens tais como: fim da terceirização, fim do curso pé-na-cova e o reordenamento dos níveis de progressão, dentre outros”.


O INSS orienta os seguintes passos para a população:

1) Os segurados que agendaram perícia médica em uma Agência da Previdência Social (APS) devem ligar para a Central Telefônica 135 e consultar previamente a situação do atendimento na unidade. Quem não for atendido em razão da paralisação dos servidores peritos médicos terá sua data de atendimento remarcada. O segurado poderá confirmar a nova data também por meio da Central 135.

2) Para se evitar qualquer prejuízo financeiro nos benefícios dos segurados, o INSS considerará a data originalmente agendada como a data de entrada do requerimento.