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Cidades

Criança autista é humilhada por causa de desenho e caso vai ser investigado

"Ele saiu chorando, assustado e querendo se esconder nas minhas pernas", conta a mãe

07 outubro 2019 - 13h10Por Nathalia Pelzl

A autônoma Aline Freitas Neves, 29 anos, mãe de um menino de 7 anos, que tem autismo e retardo mental leve, conta que foi humilhada e o filho destratado por uma psicóloga da Associação Pestalozzi, em Campo Grande. A instituição informou que está investigando o fato.

Segundo Aline, o caso aconteceu na tarde de quinta-feira (3). Ela revela que o filho é uma criança amorosa, que possui suas limitações como todo autista, e que o filho saiu aos prantos após o atendimento.

“É segunda semana dele na Pestalozzi. Ele entrou, fez todo o atendimento, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e o último era a psicóloga. Ele foi para atendimento, só que ele é muito agitado, ansioso, quando ele saiu da sala, ele saiu chorando, assustado e querendo se esconder nas minhas pernas. Aí eu questionei o que tinha acontecido”, revela a mãe.

A bronca teria sido motivada por um desenho que a criança pediu para levar para a casa (foto). Aline conta que a psicóloga foi rude e grosseira ao tratar o filho.

“Eu fui até ela perguntar o que tinha acontecido, por que ele estava em pânico. Ela virou para mim, estressada e nervosa, e disse que não tinha acontecido nada demais, que simplesmente tinha falado para ele que não ia levar o desenho para casa, pois lá tinha regras e normas. Disse ainda que se ele levasse para casa, na próxima semana ficaria sem desenho. Disse que o combinado com ela não saía caro, aí que o guri chorou. Ela foi bruta, nervosa, falando com o menino, não é assim que fala. Baixei a cabeça e vim embora”.

A mãe desabafa que não é a primeira vez que a criança reclama do local, sendo que nem queria ir para o atendimento. Ela conta que, por medo, vai procurar outra instituição.

“Ele está com trauma, não quer ir, ontem ele dormiu com o desenho embaixo do travesseiro e acordou falando que ia esconder, senão ela ia vir e levar o desenho dele. Ela falou na frente de pai e outras crianças, fiquei constrangida. Ele deve ter tomado outros ralos, não sei o que aconteceu dentro da sala. Mesmo que troque a psicóloga, não levo mais. Estou com medo, eles levam nosso filho lá para dentro e a gente não sabe. Ontem foi humilhante. Vou procurar meus direitos”, finaliza.

Outro lado

Após ouvir a mãe e o relato no grupo Aonde Não Ir em Campo Grande, no Facebook, o TopMídiaNews entrou em contato com a presidente da Pestalozzi, Gyselle Saddi Tannous. Ela informou que a instituição está apurando os fatos, entretanto não houve um comunicado oficial por parte da mãe da criança.  

“Ela não comunicou a instituição do fato, nem a coordenação do setor, não houve um comunicado da mãe para a instituição. Estou tomando conhecimento dos fatos através das mensagens de WhatsApp. Nós vamos apurar, a profissional em questão está na unidade há mais de um ano, nunca teve reclamação. Mas com certeza vai ser apurado, caso tenha alguma questão que se mostre inadequada no comportamento da profissional, com certeza, nós vamos tomar as providências”, disse.

Gyselle reforçou que o relato é muito sério e que tudo está sendo investigado, para que nenhuma injustiça seja cometida. “Acredito que talvez tenha tido algum mal-entendido, só que vamos apurar”, disse.

Além disso, Gyselle lembrou que a Pestalozzi tem canais disponíveis para reclamação, como ouvidoria e caixas de sugestão espalhadas pelo local.