O prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), chegou de viagem que fez à São Paulo, onde tentou negociar um adiantamento da concessão onerosa com a empresa Águas Guariroba no valor de R$ 50 milhões para resolver os diversos problemas financeiros da administração e, ao invés de seguir para seu gabinete no Paço Municipal, temendo uma conversa com os professores , preferiu aparição em programa de TV onde, mais do que dar explicações convincentes, buscou contrapor população e educadores.
Acompanhando a entrevista ao vivo, os professores se indignaram com os valores apresentados, que reputam serem falsos. Uma das professoras presentes, que pediu para não ser identificada por temer represálias, informou que é convocada e mostrou seu contracheque com o valor bruto de R$ 1.983,82 e líquido de R$ 1.584,94, bem abaixo ao informado pelo prefeito.
Patrícia Guimarães Moraes, que leciona gramática e língua portuguesa em dois períodos para o 4º e 9º ano do ensino fundamental, indignou-se com o fato de Olarte alegar falta de recursos. “Isso não é verdade. Essa é uma situação que não vem de hoje. É uma falta de respeito ele não estar presente, não nos receber e usar a mídia para tentar dar explicações e apresentar dados que não correspondem à verdade. O valor de rendimentos para a categoria não corresponde à verdade, o valor real dos vencimentos pode ser acessado no site da ACP”, disse Patrícia.
Após aguardarem por mais de duas horas, a vice-presidente da ACP, Geruza Ferreira Saraiva, acompanhada dos vereadores Paulo Pedra (PDT), Delei Pinheiro (PSD), Herculano Borges (SDD), Carla Stephaninni (PMDB), Alceu Bueno (PSL), Luiza Ribeiro (PPS), Thais Helena (PT) , Eduardo Romero (PTdoB), o líder do prefeito Edil Albuquerque (PMDB) e a vice-governadora eleita Rose Modesto (PSDB), desistiram da espera. Aguardavam o prefeito, além da comissão de professores e dos vereadores, a secretária de Educação do Município, Ângela Maria de Brito. O presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar (PMDB) esteve na prefeitura não se reuniu com os demais vereadores.
Todos foram dispensados pelo chefe de gabinete, Cezar Afonso, com o argumento de que o Gilmar Olarte estaria resolvendo outros problemas e não poderia recebê-los. Geruza questionou se os problemas a que Cezar se referia era a presença dele, naquele momento, em programas de TV transmitidos ao vivo, ou se tinha a ver com a paralização de 66 das 94 escolas do município.
Por volta de 12h45, os professores reforçaram a reunião agendada ainda hoje às 14h30, na sede da ACP e dispersaram. Último a deixar a antessala do prefeito, o presidente da ACP, professor Geraldo Gonçalves, informou que Olarte garantiu que receberá uma comissão de professores amanhã (8), às 9 horas. Na próxima segunda-feira (10), às 9 horas, os professores farão uma nova assembleia na sede da ACP.
Na saída, Geraldo disse que o prefeito não tem interesse em resolver essa questão ou intenção de cumprir a lei e reajustar os vencimentos dos professores, adequando-o ao piso nacional. “Iniciamos os contatos com o prefeito Gilmar Olarte em 12 de agosto, por isso não acreditamos que agora, já passada a data estabelecida para o cumprimento da determinação legal, ele a cumpra”, disse Geraldo.
Com relação à ida do prefeito à mídia televisiva para, sem contestação, fazer um aparente jogo de incitar a população contra os professores, Geraldo disse que essa atitude é incabível e que dificilmente será aceita pelos pais e alunos, que conhecem bem a realidade dos educadores.
Tabela enviada por uma professora:








