Mesmo após o prefeito da Capital, Gilmar Olarte (PP), assinar a ordem de serviço no valor de R$ 68 milhões, as obras de revitalização da Avenida Ernesto Geisel não devem sair do papel. A região é alvo de reclamações constantes da população, mas a implementação do Parque Linear Anhanduí, que incluiria a Avenida, foi cancelada mais uma vez.
Ao todo, o projeto de implementação do Anhanduí abrange seis lotes, que segundo o prefeito, seriam licitados individualmente. O processo de contratação das prestadores de serviço deveria ser concluído em 90 dias, para que as obras começassem no ínicio deste mês. O anúncio foi realizado dia 5 de março, mas hoje, quando a promessa está prestes a completar quatro meses, a população está indignada com o descaso do poder público.
A costureira Maria Lucila Sanches, de 57 anos, mora em frente ao córrego da Ernesto Geisel há mais de 28 anos e conta que chegou a participar da reunião onde Olarte prometeu que tudo seria 'diferente'. Agora, com a confirmação que o processo foi paralisado novamente, a costureira volta a temer a próxima chuva forte.

Costureira diz ficar aflita com começa a chover. - Foto: Geovanni Gomes
"Nesses anos que moro aqui já perdi muita coisa, alimentos, roupas, eletrodomésticos. Coisas minhas que vão embora junto com a enxurrada e não vão voltar nunca mais. Isso é uma falta de respeito com nós que pagamos IPTU e tínhamos que ter dignidade. Quando começa a chover, entro em pânico. Quando vejo que o córrego está começando a encher já saio de casa porque sei que a água vem sem dó", lamentou.

Obra na Avenida foi paralisada. - Foto: Geovanni Gomes
O comerciante Diego Barcelos, de 30 anos, conta que a água vem com tanta força, que ele já teve vários prejuízos em seu estabelecimento, inclusive teve que trocar o portão do comércio diversas vezes.
"Trabalho aqui há quatro anos e troquei o meu portão três vezes, pois conforme a enxurrada bate no portão entorta tudo. Acredito que o maior problema é o transtorno que tudo isso causa em nossas vidas, viver com medo de chuva", disse.
A casa da atendente de farmácia Marcela Pereira, de 29 anos, já foi atingida inúmeras vezes. Por causa disso, a família dela, que mora na Avenida há mais de 30 anos, construiu um guarda-roupa de concreto.

Foto: Geovanni Gomes
"Estávamos cansados de perder nossos móveis e resolvemos fazer tudo de concreto. Pelo menos quando chove pode até molhar, mas não estraga", ressaltou.
Na altura da Avenida em que Claudinei Rodrigues de 40 anos, reside, o rio não chega a transbordar. Mesmo assim, sem a revitalização, a sujeira toma conta do local, além de um forte odor por causa do lixo que é depositado na rua e na calçada.

Morador reclama do lixo que acumula no córrego. Foto: Geovanni Gomes
"Devido ao mato alto, a população também não respeita e acaba jogando animais mortos e lixos no córrego, o que acaba tornando um aborrecimento para nós", explicou.
A assessoria da prefeitura confirmou o cancelamento das obras. Por enquanto, não há previsão de retomada das licitações.







