A prefeitura de Campo Grande prorrogou por mais 180 dias o contrato com a Selco Engenharia Ltda. A empreiteira foi flagrada cobrindo um buraco inexistente, no bairro Parque dos Poderes, no dia 22 de janeiro deste ano. O executivo municipal chegou a anunciar a suspensão dos serviços com a empresa, o que não chegou a ser oficializado em Diário Oficial.
A extensão dos serviços foi publicada na edição desta segunda-feira (24), do Diário Oficial de Campo Grande. De acordo com a publicação, o novo prazo para prestação do serviço foi prorrogado de 7 de fevereiro a 8 de agosto de 2015. O extrato do primeiro termo aditivo é assinado pelo secretário de Infraestrutura, Valtemir Alves de Brito,
O flagrante do "buraco fantasma" foi feito por um vídeo, gravado pelo porteiro de um prédio em frente ao local onde o serviço foi feito e enviado e reportagem do Top Mídia News. Depois do escândalo, o secretário chegou a divulgar nota, no dia 29 de janeiro, anunciando a suspensão do contrato com a empreiteira. Porém, a rescisão não foi oficializada, sem constar nenhuma publicação no Diário Oficial.
Na nota, a prefeitura afirma que sete empresas são responsáveis por trabalho de tapa-buraco, na Capital. Somente a Selco atuava na Seintrha (Secretária de Infraestrutura e Habitação) desde 2010. Em outro comunicado, o município negou a existência do buraco fantasma, afirmando que laudos técnicos determinaram a realização da manutenção.
A empresa mantinha um contrato anual de R$ 5,918 milhões com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, conforme publicado do Diogrande (Diário Oficial do Município), do último dia 14 de novembro, do ano passado. Segundo a publicação, a empresa teve o serviço com a administração municipal renovado em 30 de outubro do ano passado.
Atualmente, segundo dados do próprio município, são gastos cerca de R$ 13 milhões ao mês – ou R$ 156 milhões ao ano – com empresas responsáveis pelo serviço de tapa-buraco.
O escândalo acabou rendendo a prefeitura a abertura de dois inquéritos no MPE-MS (Ministério Público Estadual) para investigar a "farra" do tapa-buraco, em Campo Grande. A Selco Engenharia Ltda será um dos principais alvos do processo. O trâmite incluiu as ações de recapeamento e solicita que prefeitura apresente todos os contratos e termos aditivos das empresas que prestam serviços de “tapa-buracos” na Capital.
CPI travada
Os vereadores da Câmara de Campo Grande chegaram a cogitar a instauração de um CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os contratos com as empresas. Mas o feriado prolongado do Carnaval, acabou esfriando os ânimos. Conforme o vereador Paulo Pedra, do PDT, autor do requerimento para abertura de investigação na Casa, o processo já tem oito assinaturas, faltando apenas duas para constituir a comissão.







