Dois meses após os escândalos de "tapa-buraco fantasma", o titular da Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação), Valtemir Alves de Brito, o Kako, ainda não cumpriu a promessa de criar um novo modelo de licitações para evitar falhas no serviço e superfaturamento nos contratos.
“Ele renovou uns contratos, mas continua a mesma pouca vergonha, tampando uns buracos e deixando o que não interessa para eles de lado. Do dia 23, ele (Kako) esteve na Câmara, queria falar com vereadores, mas não conseguiu devido a essa nuvem negra que paira sobre Campo Grande”, revela o vereador Ayrton Araújo (PT), membro da comissão de obras, em referência ao escândalo de exploração sexual envolvendo Alceu Bueno (PSL).
De acordo com o petista, a comissão vai investigar o cumprimento das promessas do secretário, mas o objetivo principal é fazer o levantamento das obras que estão paralisadas, mas constam como em andamento no relatório entregue pelo secretário para a Câmara Municipal no final do mês de março.
“Estou na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) das Moreninhas tirando foto. Ele disse que estava terminando e que ia retomar as obras para colocar o posto em funcionamento, mas está fechado aqui. As obras estão paradas e as paredes todas pichadas. Vim do Nashville, e a obra que disseram que estava em andamento, apesar de lenta, está totalmente parada desde dezembro”, revela.
Também integrando a comissão de obras, o vereador Chiquinho Telles (PSD) defende que o secretário precisa de mais tempo, entre dois e três meses, para adaptar as licitações. Segundo ele, os altos gastos com o tapa-buraco remontam às administrações dos ex-prefeitos Nelsinho Trad (PMDB) e Alcides Bernal (PP), mas o serviço é um “mal necessário”.
“A gente fez audiências, o secretário veio aqui e se comprometeu a diminuir cada vez mais, mas essa bomba caiu no colo do Gilmar Olarte (PP) e o Kako vai ter que tomar uma providência, mas não dá para fazer isso da noite para o dia, pois a prefeitura não tem condição de fazer recapeamento. Tem que ver os contratos com as empresas, rever tudo isso. É uma série de ações burocráticas que deve estar atrasando isso. Devemos perguntar para o Kako, mas eu acredito na palavra dele”, pontua.
Apesar de destacar que o secretário precisaria mais tempo para mudar o processo licitatório, Chiquinho garante que vai cobrar explicações sobre as obras paralisadas na Capital. De acordo com ele, alguns vereadores até cogitam a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a situação.
“Até pensamos em uma comissão especial para acompanhar esse caso, alguns falam em até CPI, mas como passamos por uma semana muito turbulenta, o assunto ficou um pouco de lado. Agora vamos nos reunir e chamar o Kako para explicar se tem dinheiro no caixa. Se não tem, queremos saber se está faltando os repasses do Governo Federal ou se a prefeitura que não possui a contrapartida”, enfatiza.
Líder do prefeito, o vereador Edil Albuquerque (PMDB) preferiu não comentar o assunto. “Não sei a frente de trabalho que eles estão fazendo, isso muda todos os dias. As licitações têm prazos. Não posso falar pelo secretário”, disse. O Top Mídia News tentou entrar em contato com Kako, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno. O secretário de governo, Rodrigo Pimentel, também foi procurado e informou, através de sua assessoria, que está em compromisso e retorna assim que possível.







