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Cidades

Com déficit de 900 guardas, Prefeitura quer substituir agentes por câmeras

13 abril 2016 - 13h26Por Câmara Municipal
Com um déficit de aproximadamente 900 agentes no efetivo da Guarda Municipal, a Prefeitura de Campo Grande estuda substituir os profissionais por câmeras de segurança em algumas das 356 unidades públicas. A informação foi repassada na manhã desta quarta-feira (13) pelo secretário Municipal de Segurança Pública, Luidson Tenório Noleto, durante audiência pública realizada pela Câmara para discutir a violência na Capital.
 
 
Conforme o titular da pasta, a ideia é iniciar os trabalhos por pastas. Caso a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), por exemplo, aceite aderir às câmeras em uma unidade, os guardas serão remanejados para outros órgãos dentro da própria pasta. O mesmo ocorreria nas demais secretárias, com escolas e Ceinfs (Centro de Educação Infantil).
 
 
“Trabalhamos com afinco nesse sentido de maximizar o efetivo existente e setorizar as ações. Vamos propor por pastas: a pasta que aderir ao processo de agregar tecnologia, nós manteremos o contingente e distribuiremos nas áreas prioritárias”, disse Noleto. 
 
 
Conforme o secretário, o efetivo atual da Guarda é de pouco mais de 1,2 mil homens, e o ideal seria contratar mais 891. Ele pondera, porém, que “a atual situação financeira do município inviabiliza” a realização de um novo concurso. “Temos distribuído estrategicamente nossas equipes visando patrulhamento preventivo, com objetivo de minimizar os danos ao patrimônio”, continuou.
 
 
Em sua fala, ele ainda garantiu que a Guarda Municipal será armada ainda neste ano –o armamento foi aprovado em 2013, mas ainda não saiu do papel. “Vamos trilhar um processo de profissionalização gradativa da Guarda, através do curso de patrulhamento, quando passarão a atuar armados. Através de investimento em tecnologia, já que a guarda não conta com um sistema como o Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança), vamos profissionalizar esses homens. Eles precisam ter conhecimentos específicos das áreas onde estão inseridos”, concluiu.
 
 
Policiamento - A audiência foi convocada pela Comissão Permanente de Segurança Pública da Casa de Leis, composta pelos vereadores Ayrton Araújo do PT, Otávio Trad, Dr. Lívio, Vanderlei Cabeludo e Gilmar da Cruz, e contou também com a presença de representantes dos conselhos comunitários e da Polícia Militar. Segundo o tenente-coronel Emerson Almeida, comandante do 10º BPM (Batalhão de Polícia Militar), o número de abordagens à suspeitos cresceu, o que, consequentemente, também elevou o número de conduzidos até as delegacias de Campo Grande.
 
 
“Temos algumas defasagens com efetivo, logística, mas não é motivo para vir aqui reclamar. Segurança pública é uma atividade onerosa, pois demanda contingente, logística, e não é fácil. Temos bairros com graves problemas sociais. Infelizmente, pessoas de má índole se aproveitam de pessoas em situação desfavorável e acabam os levando para a criminalidade. No último ano, cresceu 45% o número de pessoas abordadas, passando de 6,5 mil para 9,5 mil. A policia está mais presente na comunidade, abordando pessoas em atitude suspeita, o que elevou também, em 72%, o número de pessoas conduzidas para delegacias”, disse.
 
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança da Região do Bandeira, Emar Ferreira, o trabalho das forças de segurança deve ser feito em conjunto. “O trabalho da Polícia tem que ser preventivo, pois, depois que o crime acontece, não adianta mais. Aí está a importância de ter a comunidade junto. A Guarda precisa de preparo, efetivo e logística. A Guarda tem boa vontade, mas precisa ter condições de desenvolver um bom trabalho. Esta é a importância de integração entre as forças. Se cada um fizer a sua parte, melhora e muito”, disse.
 
 
 
Para o vereador Mario César, segurança pública “é dever do Estado, mas responsabilidade de todos”. “Por isso, foram criados com sabedoria os conselhos comunitários de segurança. E esse empoderamento que demos para a Guarda vem ao encontro do que a sociedade espera: junto com a PM, tentar inibir ações violentas. Agregamos valores para que haja um bem comum, mas é preponderante a participação da sociedade como um todo”, considerou.
 
 
Segundo o vereador Ayrton Araújo o PT, a ideia do debate é buscar soluções para o crescente índice de violência de Campo Grande. “Precisamos de ações imediatas para coibir a prática de crimes e aumentar a sensação de segurança para a nossa sociedade. Aumentaram os índices de roubo e violência na nossa Capital. Hoje, um ponto de debate é coibir esse tipo de violência praticada nos bairros de Campo Grande” disse. Segundo ele, foram mais de 14 mil roubos e furtos registrados em Campo Grande somente em 2015. 
 

Violência contra a mulher – O debate também teve como foco a violência contra a mulher campo-grandense. Números apresentados durante a audiência mostram que, em 2015, foram 110 agressões contra mulheres para cada grupo de 100 mil. Segundo a secretária Municipal de Políticas para as Mulheres, Leide Pedroso, o debate é extremamente necessário.
 
 
“O enfrentamento à violência contra as mulheres é um eixo prioritário do nosso trabalho. Precisamos conversar a violência que a mulher sofre na sociedade. Somos a maioria da população, a maioria dos eleitores. Temos que contribuir com novos valores. É papel da Câmara avançar e assegurar mais direitos às mulheres”, cobrou.