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Primeira turma de capacitação em língua Guarani encerra atividades no HU-UFGD

Proposta é dar continuidade ao curso e oferecer novas vagas em 2017

18 NOV 2016
UFGD
14h27min
Professor A?ndérbio e alunas da capacitação em língua Guarani, durante avaliação Foto: UFGD

Superação é uma palavra que bem se aplica. Ao encerrar as 60 horas de curso, nesta quinta-feira (17) os integrantes da primeira turma da capacitação em língua Guarani oferecida aos colaboradores do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) foram avaliados pela equipe de professores, mas também avaliaram o próprio aprendizado e os ganhos que esse conhecimento proporcionou.

Voltada especificamente para o atendimento ao público indígena, a capacitação foi oferecida em parceria com a UFGD, por meio da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), com o objetivo de trabalhar a oralidade de palavras e expressões usualmente empregadas na área da saúde e no dia a dia da etnia Guarani-Kaoiwa.

O HU-UFGD é referência para diversas especialidades na macrorregião de Dourados, composta por 33 municípios, com uma população estimada em 800 mil pessoas. Na região há diversas aldeias indígenas, tanto urbanas quanto rurais, e cabe ao HU-UFGD o atendimento de boa parte dessa população. Em setores como a Pediatria, por exemplo, mais de 60% da assistência é a pacientes indígenas.

“Tão importante quanto compreender o básico do idioma, foi aprender um pouco sobre a cultura e os costumes desse povo, que está fisicamente tão próximo e, ao mesmo tempo, fica tão distante quando a gente não consegue superar as barreiras da incompreensão. Com o curso, a gente consegue ter outro olhar e realmente se aproximar, acolher bem o paciente”, disse a psicóloga Nádia Dan Bianchi, que atua na Pediatria e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica.

Para a enfermeira Marilda Avelino dos Santos, que trabalha na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), poder estabelecer um primeiro contato com as mães dos pequenos pacientes no idioma delas modificou muito a relação com elas. “A primeira reação é sempre de surpresa, mas aí parece que elas passam a confiar mais, se aproximam mais. É interessante que mesmo quando não sou eu que estou cuidando da criança, é a mim que as mães vêm procurar para avisar qualquer coisa – que vão almoçar, por exemplo –, por que ficaram sabendo que eu ‘falo’ o idioma”, relatou.

“O desconhecimento gera essas barreiras e produz o preconceito. Sinto que agora a gente consegue romper algumas dessas barreiras. Embora seja relativamente pouco o que a gente já aprendeu, com certeza faz toda a diferença na relação com as pessoas. E isso é a humanização que tanto se busca”, avaliou Márcia Strassburger Araújo, do Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação (SGPTI).

Desafio

A capacitação contou com três professores: Andérbio Martins e Hemerson Catão, da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD, e Silvio Ortiz, intérprete de língua Guarani do HU-UFGD.  “Assim como foi difícil para vocês, que se dispuseram a aprender uma língua completamente diferente, para nós também foi um desafio ensinar a quem não tinha qualquer conhecimento do idioma. E assim como vocês, também estamos satisfeitos com o resultado, apesar de todas as dificuldades, da escassez de tempo e dos atropelos de calendário”, comentou Andérbio.

Proposta

Diante da aceitação e da grande procura pelo curso, a ideia é oferecer a continuidade da capacitação e abrir novas vagas em 2017. “Estamos avaliando com os professores e buscando viabilizar junto essa proposta junto à Ebserh, para que seja possível aprofundar o estudo e para que outros colaboradores, que não conseguiram vaga na primeira turma, tenham também a chance de participar”, informou Laura Cyrineu Munhoz e Silva, pedagoga da Divisão de Gestão de Pessoas. Nesta primeira edição, a capacitação em língua Guarani ofereceu 40, sendo 32 para colaboradores do hospital e oito para servidores da universidade.

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