Especializada na produção de material audiovisual, a empresa Render Brasil conseguiu, através de recurso, desqualificar quatro outras empresas e fechar contrato no valor de R$ 135 mil. Ao todo, em dois anos, a produtora recebeu mais de meio milhão de reais em recursos públicos.
No fim do ano passado, a Fundação realizou edital para a produção de obras audiovisuais inéditas. Ao todo, foram destinados R$ 540 mil para quatro projetos, cada um recebendo R$ 135 mil.
A Render entrou com uma proposta. Os projetos foram avaliados por uma equipe técnica, e classificados por nota. Dos quatro qualificados, a Render conseguiu emplacar o projeto “Forte Coimbra – O documentário”, porém somente como responsável pelo roteiro, segundo alegado por Fábio Flecha, sócio da empresa.
Uma segunda proposta, de nome “Guerra do Prata” foi classificado em nono lugar dentre os 12 projetos recebidos pela Fundação de Cultura. A classificação foi divulgada dia 8 de dezembro.
A Render então entrou com recurso e conseguiu desqualificar cinco outras propostas, inclusive a “Dona Arara quer Casar”, da Focus Vídeo, classificada como segundo melhor projeto. Para avaliação, foram consideradas três avaliações técnicas. O documentário desclassificado da Focus teve nota 39, enquanto o projeto “Guerra do Prata” teve 27,6 como pontuação.
Assim, a produtora Render, e o roteiro de um dos sócios da empresa, tiveram dois projetos contemplados, e receberam R$ 270 mil, metade de todo o oferecido no edital.
Outro lado
“É um edital da Ancine (Agência Nacional do Cinema) em conjunto com a prefeitura, e pelas normas da Ancine, não só aqui, mas em qualquer edital, as empresas têm que cumprir dois quesitos: estar em dia com a própria Ancine e provar ter capacidade financeira, e a maioria das empresas não cumpriu”, defendeu Fábio Flecha, sócio da Render Brasil.
Segundo ele, a empresa apenas defendeu seu produto com base no edital. “Há uma confusão em toda essa história, já quem uma das propostas apenas entrei como roteirista, o restante cumprimos apenas o determinado em edital”, completou Flecha.
Recorrente
Avaliado individualmente, o processo acima apresentado pouco tem de comum. Além de uma “desclassificação total” de nada mais do que cinco projetos, a Render é conhecida por ganhar constantes projetos do município.
Levantamento feito pelo Top Mídia News mostra que, nos últimos dois anos, a empresa teve dez projetos contemplados pela Fundação de Cultura, e recebeu R$ 567 mil.
Também em 2012, a produtora entrou com representação no Ministério Público Estadual contra o edital de produção de obras audiovisuais inéditas da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, após terem dois projetos desclassificados, acarretando na anulação do edital.
Os projetos contemplados em dois anos pela empresa:
Desafio da Viola Fábio Lemes Gomes Fábio Lemes Gomes 50.000,00 (FIC 1 2013)
Coletânea – Lendas Pantaneiras Fabio Lemes Gomes Fabio Lemes Gomes 22.850,00 (FIC 2 2014)
Não me lembro Bruno Moser Canhete Bruno Moser Canhete 42.000,00 (FIC 1 2014)
Aqui ó Fábio Lemes Gomes Fábio Lemes Gomes 41.000,00 (FIC 1 2014)
Sem Fim Fábio Lemes Gomes 40.000 (Edital MIS 2013)
Enterro Tania Mara Sozza Gomes Tania Mara Sozza Gomes 40.000,00 (FIC 2 2013)
Forte Coimbra – O Documentário R$ 135.000 Edital Ancine Fundac
Guerra do Prata – Invasão do Mato Grosso R$ 135.000 Edital Ancine Fundac
Tania Mara Sozza Gomes- Documentário - Mulheres de um novo oeste R$ 40.000 edital MIS 2014
Fábio Lemes Gomes 100 Anos de Esplanada Ferroviária R$61.400,00 FMIC 2014
Total 567.250







