Os profissionais de radiologia que prestam serviços à saúde pública de Campo Grande enviaram ofício para a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) decretando estado de greve. A notificação foi protocolada no dia 1º de abril e informa que a partir do dia 6 de abril, ou seja, nesta segunda-feira, será deflagrado o movimento de paralisação dos serviços.
O documento, elaborado pelo Sinterms (Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Radiologia), informa que a decisão foi tomada em consenso pelos trabalhadores após fracasso na comissão de negociação junto à gestão pública.
“Noticiar a decretação de estado de greve, notificando que a contar das 6h do dia 6 do mês de abril do corrente ano será deflagrado movimento paredista/paralisação/suspensão da prestação dos serviços, inicialmente por 72h em face de, e em protesto, ao descumprimento deste ente empregador do calendário e prazos acordados para a satisfação às reivindicações dos trabalhadores, sob a omissão e qualquer justificativa para o descumprimento, abandonando os compromissos consumados nas negociações ocorridas nos dias 24 de novembro e 3 de dezembro de 2014”, informa o sindicato.
Segundo o presidente do sindicato, Adão Julio da Silva, desde novembro a categoria vem adiando a greve a pedido da gestão municipal, esperando ser atendidos para expor as reivindicações.
“Dos 15 pontos que nós apresentamos para a Sesau apenas dois foram cumpridos, sendo a aquisição do dosímetro e exames de sangue a cada seis meses para os servidores que trabalham com radiação. Os funcionários já tinham votado pela greve em novembro, mas por voto de confiança demos prazo para a prefeitura nos atender. Infelizmente, de novembro até agora não conseguimos sequer ser recebidos pelo prefeito Gilmar Olarte (PP)”, declarou Adão.
O sindicato informou que a prefeitura vem descumprindo inclusive instruções de segurança para os servidores e trabalhadores, uma vez que há mais de quatro anos não faz a aferição dos aparelhos de raio X.
“A portaria 453/98 da Anvisa exige que os aparelhos sejam aferidos há cada dois anos e alguns a cada quatro. Na saúde pública de Campo grande já tem mais de quatro anos que não é feita essa aferição. Isso coloca em risco a saúde dos trabalhadores e principalmente dos pacientes e acompanhantes, uma vez que não temos certeza sobre uma possível fuga de radiação ionizante”, revelou o presidente do sindicato.
Entre as reivindicações da categoria estão o cumprimento do Piso Nacional de R$ 1.450,00 (hoje paga-se cerca de R$ 1.200,00); o pagamento da insalubridade que, segundo Adão, mesmo previsto na Lei Complementar Municipal 199/2012 em até 40%, não vem sendo cumprido; e a negociação sobre a Gratificação SUS que está congelada desde 2004.
“Essa gratificação SUS está defasada. Para você ter uma ideia, em 2004, quando o salário mínimo era de R$ 217, o valor da gratificação SUS era de R$ 385. Hoje, 11 anos depois, com o salário mínimo em R$ 788, o valor da gratificação continua o mesmo”, explicou.
A categoria - que tem cerca de 70 profissionais na saúde pública de Campo Grande - informou que uma lista com o nome de 20 profissionais foi entregue para a Sesau, que são os que irão cumprir a cota de 30% do efetivo durante a greve.
Além da paralisação, os grevistas marcaram vários protestos durante os três dias de greve. Na segunda (6) haverá uma concentração em frente à prefeitura. No dia 7, os profissionais seguem para a Câmara de Vereadores e no dia 8 a manifestação volta ao Paço municipal. O sindicato informa que se não houver negociação, a greve poderá se estender por tempo indeterminado.








