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Esquema do Ponto Eletrônico cobraria até R$ 60 mil por vaga em Medicina na Uniderp

Vestibular

12 NOV 2013
Carlos Guessy
18h00min
Foto: Divulgação/ Investigador Vitor

A quadrilha que tentou fraudar as provas do vestibular 2014 da Uniderp Anhanguera, pretendia cobrar até R$ 60 mil por uma vaga no curso de Medicina.

A Delegacia Especializada em Defraudações está investigando três homens e uma mulher que possivelmente comandam esse esquema.

Segundo a delegada Ariene Murad Kury, titular da Dedfaz, uma acadêmica do curso de medicina da própria Uniderp Anhanguera pode estar envolvida com essa quadrilha. Ela foi reconhecida por professores e colegas de turma fazendo as provas, mas deixou a sala antes das prisões.



Entenda o Caso

No dia da prova, último domingo (10), 22 candidatos foram pegos com pontos eletrônicos durante o vestibular de medicina da Uniderp Anhaguera. Os estudantes confirmaram à polícia que pagariam o valor de até R$ 30 mil, pelos pontos eletrônicos, caso fossem aprovados no vestibular. Durante o processo seletivo 2014/01, fiscais que trabalham durante a realização da prova, identificaram candidatos tentando fraudar a avaliação para o curso de Medicina. A polícia militar foi acionada e os suspeitos foram encaminhados para a delegacia. Segundo a polícia um dos pontos eletrônicos foi encontrado no lixo do banheiro da universidade.

Primeiro Preso

Willian Nascimento foi o primeiro a ser descoberto com o ponto eletrônico. Willian estava muito nervoso e levantou várias vezes para ir ao banheiro. Levantando a suspeita dos fiscais que havia algo de errado com o rapaz. Segundo Ariene Murad Kury, o candidato já cursava o 9º semestre de medicina na Bolívia.

Após a descoberta do primeiro ponto, todos os 2.500 vestibulandos passaram por exame de otoscopia, o exame do canal auditivo externo e do tímpano efetuado com a ajuda de instrumentos específicos com o intuito de identificar pontos eletrônicos nos candidatos.

A quadrilha já aliciou os estudantes em São Paulo, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O único preso até hoje é Joaquim Pereira Gonçalves Neto, 31 anos, que está no Centro de Triagem porque não tem condições de pagar a fiança de R$ 2 mil. Ele é de Ourilândia, interior do estado do Pará.

Investigações

A delegada disse que dos 22 detidos, 13  estudantes ficaram em silêncio e nove decidiram falar com a polícia. Segundo os depoimentos, eles revelaram que foram abordados por homens e mulheres nas saídas de vestibulares e após participar de concursos públicos. A proposta dos aliciadores para os estudantes era de R$ 300 a R$ 500 por cada ponto eletrônico.

Se caso os vestibulandos fossem aprovados, eles pagariam de R$ 1,5 mil a cerca de R$ 5 mil. Um dos participantes envolvidos no caso, contou que assinou um contrato para pagar R$ 60 mil, caso fosse aprovado no vestibular para Medicina da Uniderp Anhanguera.

A delegada Ariane não revelou de qual estado são os integrantes dessa quadrilha. Mas, contou que já foram identificados dois taxistas da capital que estavam entregando os pontos eletrônicos na Estação Rodoviária de Campo Grande. As investigações continuam, afirmou.

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