O prédio que abrigava uma das escolas da rede Cnec (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), localizado na avenida Afonso Pena, centro de Campo Grande, ainda aguarda para reabrir as portas como Ceinf (Centro de Educação Infantil). Em funcionamento, o local contribuirá para o reduzir o número de 7,5 mil crianças que estão sem vagas, além de funcionar em local próprio.
Desde que foi desapropriado, em 2013, o local foi cotado como sede de diversos órgãos, desde Casa da Mulher a Centro de Atendimento ao Cidadão. Depois de quase um ano de impasses, em março do ano passado, ainda durante a gestão do prefeito cassado, Alcides Bernal (PP), foi definido que o Ceinf Eleodes Estevan, instalado na rua Piratininga quase esquina com a rua Bahia, seria transferido para o local.
Em sede própria, a mudança representaria uma economia de R$ 3,7 mil ao mês. O valor é o que a prefeitura gasta com o aluguel de onde atualmente funciona o Ceinf da área central. Na época, o prazo para a abertura do novo espaço era de 15 dias.
Passado um ano, o prefeito Gilmar Olarte (PP) manteve os planos, porém prolongou o prazo para execução da transferência. A data inicial dada pelo gestor foi agosto de 2014, passando para fevereiro desde ano. A última promessa joga a inauguração para outubro.
A demora atrapalha o corte de gastos que o município alega ser imprescindível, elevando ainda o custo das adaptações realizados no prédio, que inicialmente custariam R$ 300 mil e com o novo prazo terão de ser recalculadas.
O funcionamento do prédio pode ampliar em 300 o número de vagas para crianças de quatro meses a cinco anos. Além das 160 crianças já atendidas pela creche central. Ao todo, 13.508 crianças são atendidas nos 96 Ceinf's da Capital.
Aluguel de mais
Autor da audiência pública que culminou na desapropriação do prédio, o vereador Eduardo Romero (PTdoB), lamenta a demora da entrega do espaço ao público. "Não sei por quais razões o município mantém o prédio fechado. A câmara fez o papel dela em resgatar e ele precisa urgentemente ser destinado a uma demanda da sociedade, em especial os Ceinfs", afirma.
O vereador defende que caso o local não seja entregue como centro educacional seja ocupado por secretarias que atualmente funcionam em prédios de altos alugueis, como a Fundac (Fundação Municipal de Cultura) e Funesp (Fundação Municipal de Esportes). "A prefeitura tem que encontrar alguma alternativa, por meio de recursos próprios ou parcerias, para que esse serviço seja devolvido à população".
Desapropriação
O prédio foi alvo de discussão depois que a diretoria da escola tentou vendê-lo por R$ 11 milhões à iniciativa privada, sendo que o terreno foi doado pela prefeitura à Cnec, como contrapartida para o funcionamento de uma instituição de ensino. Depois de 25 anos, a escola fechou as portas e o município ingressou com ação judicial para reverter a doação e recuperar o terreno.
A assessoria de imprensa da prefeitura foi procurada para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras, mas não respondeu até o fechamento da situação.







