O levantamento do site G1, divulgado na última semana, que apresentou uma classificação com as melhores remunerações do país para professores, reascendeu a polêmica sobre o salário da categoria em Mato Grosso do Sul.
Mesmo depois de oito dias de paralisação dos professores, o Governo do Estado deixou a perspectiva de reajuste de 4,37% apenas para outubro deste ano alegando que pagava a melhor remuneração do país.
O problema é que o executivo Estadual utilizou a correção do piso nacional de 13,01%, do MEC (Ministério da Educação), concedido em janeiro, para classificar o salário local como o melhor do país e os professores contestam esses dados. Embora demonstre contentamento com os reajustes regulares, a categoria contesta o título, analisando as situações adversas apresentadas pelos outros estados.
De acordo com o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Roberto Botareli, o estado foi o único do país a ter a correção integral, no início deste ano. "Somos o único estado do Brasil que tem garantido esta reposição", explica. No Paraná, as negociações ficaram em 3,45%, mesmo com greve de 40 dias. No Pernambuco, o aumento foi de apenas 7%.
Para justificar a maior remuneração do país, o governo do estado utilizou o salário base pago a professores com diploma de licenciatura no início de carreira. Atualmente, o valor é de R$ 3.994,25, por 40 horas semanais, que, conforme o G1, representa R$ 1.282,77 a mais que a média de R$ 2.711,48 paga no Brasil para a categoria. O salário pago ao magistério é de R$ 2.662,80.
Segundo a Fetems, ranking divulgado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) apontou que o estado ocupa o quinto lugar, depois do reajuste do Piso Salarial Nacional. "Com o reajuste previsto para outubro devemos voltar para o terceiro lugar, como estava no ano passado", explica.
Se cumprido o acordo firmado com o Governo do Estado, por intermediação do Tribunal de Justiça, para reajuste anuais até 2021, os professores estaduais vão ver o salário dobrar. Conforme Botarelli, o único empecilho à crescente é uma possível revisão da Lei do Piso.
O presidente da Fetems destaca que os reajustes são uma conquista da categoria e vem avançando desde que houve maior abertura para negociações, durante o governo Zeca do PT, entre 1999 e 2007. De lá para cá, o salário base passou da 17º melhor remuneração e chegou a atingir o 3º lugar.







