quinta, 15 de janeiro de 2026

Busca

quinta, 15 de janeiro de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Cidades

22/03/2015 08:20

Projetos de reaproveitamento de água ganham força, mas são desafio em obras públicas

Dia Mundial das Águas

Chuvas regulares e reservatórios cheios seriam motivos para que a crise hídrica passasse despercebida pela população de Campo Grande. Sensação de alívio pode ter sido mais comum do que preocupação, mas secas como a do Sistema da Cantareira, responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo, deixou os vizinhos em alerta. Alternativas para reúso da água das chuvas estão entre as medidas implantadas em residências, de forma particular, enquanto políticas públicas são pouco exploradas.

De acordo com a Águas Guariroba, concessionário de água e esgoto, desde o início deste ano, a Capital opera com reservatórios 40% acima do nível considerado normal. Fontes não faltam: 56% vem de captações superficiais, sendo 40% da represa do córrego Guariroba e 16% do córrego Lageado. Os outros 44%, vêm de captações subterrâneas, dos quais 29% são de 140 poços tubulares profundos e 15% de dez poços do Aquífero Guarani, que têm em média 600 metros de profundidade.

Apesar da situação confortável, surgiram iniciativas realmente impactantes na economia da água. O método aplicado pelo profissional autônomo, Gabriel Lima de Carvalho Rocha, 28 anos, mais do que uma consciência tranquila, rendeu uma boa redução na conta de água. 

Morando em uma casa com seis pessoas, ele precisou de apenas R$ 150 para reduzir quase 1,6 mil litros mensais no consumo da água. O sistema construído por ele é composto, basicamente, de um barril e uma torneira e funciona como um reservatório para água utilizada durante a lavagem de roupas.

A máquina de lavar, com capacidade para 11 litros, cheia, era suficiente para encher um reservatório de 120 litros. “Era uma quantidade muito grande de água que era jogada fora”, afirma. A reserva passou a ser utilizada para lavar calçadas da residência, além dos dois carros da família. 

Para fins semelhantes, porém com métodos de economia mais ambiciosos, o arquiteto José Pereira Mendes Junior, busca por em prática o reúso da água da chuva. A captação é feita por meio de um sistema de calhas e com armazenamento em cisterna ou em reservatório elevado, como caixas d’áqua.

O método acabou se tornando objeto de tese no Mestrado de Tecnologias Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Estamos analisando quanto de água da chuva precisa ser capitado para atender uma casa com quatro pessoas, em um local de chuvas frequentes como Campo Grande”, explica. A pesquisa considera o índice pluviométrico dos  últimos 30 anos.

As reservas serão utilizadas para fins não potáveis como irrigação de jardim, lavagem de calçada e veículos.

Economia que encarece

Apesar de inovador, o projeto corre o risco de ficar muro adentro da iniciativa privada. De acordo com o arquiteto, a execução deste serviço em obras públicas esbarra nas limitações da Lei das Licitações e Contratos.

Entre as determinações da Lei Nº 8666,  está a listagem dos itens necessários para a obra baseada na tabela Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) da Caixa Econômica Federal. "Na planilha não estão os insumos do projeto e não há como colocar isto no custo da obra", explica.

Para execução do sistema de captação de águas da chuva nos prédios públicos seria necessário um recurso a parte. Ou seja, uma outra licitação teria de ser aberta, encarecendo ainda mais o custo da obra. É o que atualmente ocorre com a implantação de sistema de captação de energia solar em projetos de casas populares.

Brechas Municipais

Com a intenção de incentivar o reúso da água em locais públicos, os vereadores Mário César (PMDB) e Eduardo Romero (PTdoB) apresentaram projeto na Câmara Municipal, que prevê a implantação de cisternas, ou outros tipos de depósitos, nas escolas públicas da Capital. O projeto ainda tramita na Casa de Leis. "Com a comemoração do mês das Águas, o projeto deve entrar para votação em regime de urgência até o final de março", afirma Romero.

De mesma autoria, a Lei do Imposto Ecológico, que está em vigor desde 2010 é um dos principais incentivos para reúso de água na Capital. A Lei Complementar 150/2010 que instituiu a obtenção de benefício tributário na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para os contribuintes que cumprirem uma série de medidas consideradas sustentáveis.

Ter sistema de captação de água da chuva, sistema de reuso da água, sistema de aquecimento elétrico solar e construção com material sustentável estão entre os itens exigidos para aplicação do benefício.

Imediatas

A falta de políticas públicas e até de dinheiro para investir em um projeto de engenharia, não é desculpa para deixar de economizar. A concessionário de água e esgoto da Capital, Águas Guariroba, dá um série de orientações para evitar o desperdício de água de forma que isto que isto se torne um hábito. Confira as dicas.


Banho - No banho, só abra a torneira do chuveiro quando entrar de fato. Banho de ducha por 15 minutos, com a torneira meio aberta, consome 243 litros. Se fechar o registro enquanto se ensaboa, diminuindo o tempo de banho para cinco minutos, o consumo cai em 33%.


Dentes - Se molharmos a escova e fecharmos a torneira enquanto escovamos os dentes e enxaguarmos a boca com um copo de água, podemos economizar mais de 96% de água do que com a torneira aberta.


Louça - Limpe os restos dos pratos e panelas com uma escova e jogue no lixo. Coloque água na cuba até a metade para ensaboar. Enquanto isso, feche a torneira. Coloque água novamente para enxaguar. Medidas práticas como estas nos levam a economizar 90%.


Roupa - Uma lavadoura de louças gasta aproximadamente 40 litros. Por isso, é melhor utilizá-la somente quando estiver totalmente cheia. O mesmo vale para a lavadoura portátil.


Vaso Sanitário - A válvula hídrica do vaso sanitário acionada por seis segundos gasta 10 litros de água. Quando o aparelho está defeituoso, o gasto pode chegar até 66% a mais. Por isso, faça sempre uma revisão.


Plantas - Molhe as plantas de manhãzinha ou a noite, quando a evaporação é menor. No inverno, este procedimento poder ser feito dia sim, dia não, pela manhã. Com esses cuidados pode-se chegar a uma economia de 96 litros por dia.


Mangueira - Não utilize mangueiras para “varrer” calçadas e quintais.


Carro - Ao lavar o carro, use um balde de 10 litros para molhar e ensaboar e outro balde para enxaguar.


Torneira - Fique de olho em goteiras e vazamentos. Evite contas altas.


Balde - Ao limpar sua casa, utilize um balde d”água e um esfregão. Evite usar mangueiras ou fontes similares.

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também

Ver Mais notícias