Representantes de religiões afro-brasileiras de Campo Grande realizaram ato, no início da tarde desta segunda-feira (23), em frente ao MPF (Ministério Público Federal), na avenida Afonso Pena, pedindo a investigação sobre os objetivos do grupo Gladiadores do Altar. Criado em janeiro deste ano pela Igreja Universal do Reino de Deus, ele é composto por mais de 4 mil jovens com idade até 26 anos. Em vídeos exibidos na internet, os Gladiadores do Altar aparecem uniformizados, mostram postura militar e batem continência.
De acordo com o vice-presidente da Fecams (Federação dos Culturos Afro-brasileiros e Ameríndios do Estado de Mato Grosso do Sul), Pedro Gaeta diversos vídeos caluniando a religião foram divulgados na internet. "Em uma das gravações colocaram um gladiador sacrificando um sacerdote ao passar a espada no pescoço", relembra.
O apelo se dá devido ao histórico de perseguições e violência contra centros espíritas e integrantes de religiões afro-brasileiras, praticadas por membros da Igreja Universal em todo o país. A preocupação está com o que pode vir a ser a finalidade deste grupo.
O documento cita a Lei de Segurança Nacional (LSN), que proíbe a formação de grupos paramilitares e propaganda de discriminação racial, de luta pela violência entre as classes sociais e de perseguição religiosa.
A Casa de Oxumarê, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé de Salvador divulgou uma carta aberta contra os Gladiadores do Altar, assinado pelo líder Oxumarê, o babalorixá Sivanilton Encarnação da Mata, Babá Pecê, onde a comunidade religiosa denuncia que a Universal promove "um massacre cultural e religioso contra as Religiões Tradicionais de Matriz Africana, perpetrando uma contínua, incansável, declarada e brutal perseguição através dos meios de comunicação social".
Nacionalmente, a Universal, por meio de seu site oficial, alega que os Gladiadores, apesar de autointitulados "soldados de Deus" não desenvolvem prática militar, e os vídeos foram feitos durante apresentações de projeto em igrejas pelo país.







