De grande repercussão na Câmara Municipal e em toda a cidade, o caso de intolerância religiosa envolvendo a Quinta Gospel em Campo Grande ultrapassou as esferas do município e foi parar até no Congresso Nacional, em Brasília.
A polêmica sobre a Quinta Gospel iniciou no dia 7 de agosto, quando o vereador Eduardo Romero (PTdoB) apresentou denúncias sobre intolerância religiosa realizada pela Fundação Municipal de Cultura (Fundac) contra o zelador da Tenda de Umbanda, Pai Joaquim de Angola, Elson Borges, que havia solicitado o show da Cantora Rita Beneditto intitulado 'Tecnomacumba'. Sem saber do conteúdo, muitos vereadores da bancada evangélica ficaram indignados e chegaram a ser rudes ao tratar sobre o assunto.

Cantora Rita Beneditto.
Logo depois, no dia 12 de agosto, Romero apresentou nova denúncia, desta vez com o presidente do Instituto de Cultura Espírita de Mato Grosso do Sul e sócio da Associação Brasileira de Artistas Espíritas, João Batista Paiva, que havia solicitado no dia 11 de dezembro de 2013 outros shows para o mesmo evento. Em ambos os casos, a Fundac negou e afirmou que a Quinta Gospel seria apenas para os seguimentos cristãos, em especial evangélicos.
Um dia após a apresentação das denúncias e que chegou a nível nacional, o Ministério Público Estadual ingressou com ação no dia 13 de agosto e deste então segue tramitando no órgão. Este caso repercutiu em nível nacional sendo comentado até pelo deputado federal Jean Willys no Congresso Nacional.
Na época, em declaração à imprensa, o prefeito Gilmar Olarte contestou o MPE e afirmou que não faria a revogação da Lei e afirmou que recorreu a Procuradoria do Município e ao seu advogado particular para reverter o caso.
O Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul (MPE-MS) recomendou ao prefeito Gilmar Olarte, para que desse início ao processo legislativo de revogação da Lei Municipal, nº 5.092, de 20 de julho de 2012, que institui a 'Quinta Gospel', considerada inconstitucional. A solicitação ocorreu por meio de um Procedimento Preparatório, ofício 23/2014, de 1° de setembro do ano corrente. A sugestão foi proferida pela promotora da 67ª Promotoria de Justiça da Comarca de Campo Grande, Jaceguara Dantas da Silva Passos, sugeriu ao chefe do Executivo, para que transforme a 'Quinta Gospel' em 'Quinta Cultural', abrangendo todas as religiões.
Em outra decisão mais recente, o MPE/MS recomendou à presidente da Fundac (Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande), Juliana Zorzo, que alerte os artistas que participarem do projeto que eles poderão responder junto pela ilegalidade do evento. A recomendação, assinada pelo promotor Gerson Eduardo de Araújo, foi publicada no Diário Oficial, do dia 14 novembro deste ano.
O valor pago para a realização de cada evento custou aos cofres da prefeitura R$ 600 mil por edição, atualmente, a Quinta Gospel segue cancelada sob a justificativa que a prefeitura de Campo Grande não possuir dinheiro em caixa para a realização do evento que ocorria uma vez ao mês. O projeto original foi criado pelo ex-vereador Lídio Lopes quando era parlamentar na Câmara Municipal de Campo Grande. O caso segue tramitando no MPE.







