O vai e vem de viajantes do Brasil e de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, movimentou a economia local e transformou a região do Pantanal sul-mato-grossense e fez com que pescadores construissem suas casas na região. Mas sobrevivendo da pesca e dos poucos turistas que conseguem chegar ao povoado, os ribeirinhos carecem de assistência.
O Metrópoles acompanhou de perto como vivem as famílias isoladas dentro de Mato Grosso do Sul. O isolamento tornou a vida dessas pessoas mais difícil.Atualmente, o atendimento médico é oferecido no distrito apenas de três em três meses. Já a coleta mensal de lixo só é possível porque os moradores abriram um caminho improvisado em meio à mata até a principal rodovia da região.
Todavia, a história de Porto Esperança está prestes a mudar. Os caminhões e tratores que, desde setembro do ano passado, circulam pela comunidade indicam um novo tempo. Atestam que a espera centenária chegou ao fim. Após constante pressão dos ribeirinhos, a estrada que liga o povoado à rodovia está, enfim, sendo construída.
Isolados, esses povoados que não têm acesso ao asfalto padecem com a precariedade na saúde, segurança e educação. A realidade dessas comunidades isoladas tem sido representada na novela Pantanal. Os personagens do folhetim só acessam a fazenda do protagonista Zé Leôncio (Marcos Palmeiras) por chalana ou avião. O abastecimento de itens básicos para os moradores da região também só chega por esses meios de transporte.
Em meio às dificuldades, permanecer no Pantanal é um ato de resistência. As comunidades compostas em sua maioria por idosos que vivem no local há anos aprenderam a sobreviver com a natureza. É da mata que sai o remédio; o alimento é cultivado na terra; e a pesca ajuda no sustento do lar. As casas são projetadas para suportar a seca e as enxurradas.
“Mesmo com todos os problemas, é muito difícil sair daqui, são nossas raízes. Aprendemos a sobreviver com a natureza e sabemos a época de plantar e colher”, explicou.
Como sair do distrito não é opção, Jorgina e o marido, Sérgio Matos, escolheram empreender. Montaram uma pousada na beira do rio. Contam com 20 quartos, ar-condicionado e uma boa comida caseira. Com a chegada da estrada e a possibilidade de aquecer o turismo, o casal já pensa em expandir o imóvel.
Além dos negócios, a moradora pondera que não basta apenas concluir as obras: “É importante que, além da estrada, também tenhamos segurança. Hoje, conseguimos conservar a natureza e coibir o vandalismo. Aumentando a circulação de pessoas, o risco também aumenta”, alertou.







