Muitas pessoas que procuraram atendimento médico, neste Natal (25), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Vila Almeida acabaram se frustrando, ao se depararem com uma faixa de interdição. Os atendimentos ambulatoriais foram proibidos, após parte do forro da recepção desabar, na manhã de ontem (24), em Campo Grande. O teto cedeu e grande quantidade de fezes de pombos se espalhou pelo local, causando mau cheiro e riscos à saúde.
Os profissionais chegaram a atender utilizando máscaras, mas a unidade de saúde teve que ser interditada desde a tarde de ontem. O local, que atende toda a região do Santo Amaro está oferecendo atendimento médico apenas para o setor da ala vermelha, considerado de emergência.
De acordo com a enfermeira plantonista, Ruth Souza, a Prefeitura não informou a previsão de liberação do local. A medida foi tomada porque as fezes dos pombos podem causar diversas doenças, e como o local atende muitos enfermos foi necessário tal procedimento.
André Pereira de Amorim, de 78 anos, contou que passou mal na terça-feira (23) e foi diagnosticado com hipertensão arterial. O idoso disse que conforme solicitação médica, será necessário aferir a pressão de rotina durante toda a semana. Como esse serviço não está sendo prestado, ele acabou sendo orientado para ir até a UPA do Coronel Antonino. Mas, por mora no Bairro José Abrão e não ter como chegar até a unidade de saúde localizada em outro local, ele disse que vai tentar procurar outro estabelecimento para realizar a aferição, como uma farmácia.
Uma enfermeira foi deslocada para permanecer na porta de entrada da Upa Vila Almeida e orientar os pacientes. A entrada não está totalmente fechada, há apenas com uma faixa e a enfermeira está responsável por informar os pacientes conforme cada necessidade. Caso seja atendimento de urgência, eles são encaminhados para a parte de traz da unidade. Mas as pessoas também estão sendo orientadas a procurarem outros atendimentos 24 horas, da Capital.
A equipe indica as unidades do Coronel Antônino e do Guanandi, porque são as mais próximas da região. A enfermeira Ruth contou que, até o momento, o fluxo de pacientes no atendimento de emergência está tranquilo, apesar de ser feriado. “A população deve ficar tranquila porque os atendimentos estão ocorrendo de forma ordenada”, salientou a plantonista.

Já Vagner Ferreira, de 21 anos, estava inconformado com a demora no atendimento. Ele sofreu um acidente de motocicleta ontem e teve que retornar ao UPA para fazer um Raio X. “Estou sentindo muita dor. O pior é que agora tenho que esperar para ver se vão me atender ou se vou ser transferido para outro local”, revelou Vagner, dizendo estar indignado com o descaso da saúde pública.
De acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Campo Grande disponibiliza atualmente nove unidades de atendimento à população 24h, além de 64 Unidade Básica de Saúde (UBS) e Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF). Por ser feriado, apenas os 24h estão em funcionamento.
Pombos
Os pombos são aves que vivem com frequência nas cidades, morando em edificações onde costumam fazer seus ninhos, nos telhados. O problema é que essas aves tornaram-se um grave problema de saúde, já que podem causar várias doenças graves levando, inclusive, à morte ou deixando sequelas. Dentre as principais doenças estão:
- Salmonelose: doença infecciosa provocada por bactérias. A contaminação ao homem ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com fezes animais;
- Criptococose: provocada por fungos que vivem no solo, em frutas secas e cereais e nas árvores; e isolado nos excrementos de aves, principalmente pombos;
- Histoplasmose: provocada por fungos que se proliferam nas fezes de aves e morcegos. A contaminação ao homem ocorre pela inalação dos esporos (células reprodutoras do fungo);
- Ornitose: doença infecciosa provocada por bactérias. A contaminação ao homem ocorre pelo contato com aves portadoras da bactéria ou com seus dejetos;
- Meningite: inflamação das membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal.







