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Com saída temporária de presos, campo-grandense teme onda de crimes

Maioria das pessoas ouvidas pelo TopMidiaNews questiona o direito concedido a presos de todo o país

23 DEZ 2016
Thiago de Souza
19h00min
População é contra saída temporária de presos no natal Foto: André de Abreu

Embora exclusivo para detentos dos regimes aberto e semiaberto, a saída temporária dos presos para os feriados de Natal e Ano Novo, causa alvoroço na sociedade a cada ano e rescende discussões acaloradas sobre o direito garantido pelo artigo 122 da Lei 7.120 de 1984. Quase todos as pessoas ouvidas pelo TopMidiaNews acreditam que os índices de criminalidade aumentam no período e que, portanto, o direito deveria ser extinto.

Para o diretor-presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Ailton Stroppa Garcia, os presos que ganham as ruas na saída temporária já tem convívio com a sociedade, pois são dos regimes aberto e semiaberto, logo não há motivos para tanta preocupação. “Muita gente acha que são do regime fechado, que cumprem pena por crimes graves, mas não é assim”, explicou o dirigente.

A Agepen é a responsável por informar à Justiça quais presos terão o direito ao benefício, já que para tal é preciso ter bom comportamento, ter cumprido 1/6 (no caso de réu primário) e ¼ da pena se o mesmo o preso for reincidente, entre outros requisitos. “O preso tem de informar certinho onde vai ficar para a polícia dar umas incertas. Se fizer algo errado o preso é punido, e se for algo grave, ele pode até retroceder de regime, voltando para o fechado”, completou Ailton Stroppa.

Álvaro Vieira, 68 anos, foi o mais flexível sobre o assunto da saída temporária. “Pelo lado humano, seria humano permitir que eles visitem suas famílias. É mais pelas famílias, só que a gente tem ouvido pela grande mídia que muitos não retornam e cometem outros crimes”, ponderou. “Como ser humano acho que sim, [deveriam sair] mas poderia ter mais cuidado com isso”, completou.

“Não temos segurança nem com eles lá, imagina fora”, disparou Adélia Benites, 50 anos, proprietária de uma banca de revista na Avenida Afonso Pena. O período em que os presos deveriam aproveitar na presença da família é usado, segundo ela, para o cometimento de crimes. Questionada se o benefício proporciona a ressocialização do detento na sociedade, mais uma vez ela é enfática: “isso não tem conserto não, deixa pra lá”. Benites disse que fica mais preocupada nesse período, por conta da saída temporária dos presos.

Mais uma que não concorda com o benefício é Luciane Aparecida Lima, 42 anos, funcionária de uma ótica no centro da cidade. “Não deveria ter saída temporária. Tem gente que nem tem família e vai para aprontar... Às vezes não volta e fica aprontando”, explicou.

Em agosto deste ano, Suzane Von Richthofen, condenada por planejar a morte do pai e da mãe, ganhou as ruas para o feriado de dia dos pais. No retorno ela foi punida, pois havia dado o endereço errado de onde ficaria.  

“É nossa segurança que está em jogo, não deveria existir”, destaca Márcio da Silva Jara, 31 anos, que trabalha como assistente administrativo. O benefício, segundo ele, é desnecessário. “Eles já tem visita, não precisa ganhar a rua”, criticou. Assim como os outros entrevistados, ele também acredita que os índices de criminalidade aumentam durante as festas de fim de ano.

Em Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2015, 1,6 mil presos tiveram a liberdade concedida e parte deles saiu para o Natal. Outra parte para o ano novo.  

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