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Cidades

13/06/2015 08:24

Vereadora assediada por parlamentar revela clima tenso e aguarda Justiça

Ainda configurada como um ambiente machista, a Câmara Municipal de Dourados registou nessa semana um caso sério de assédio. A vereadora Virginia Magrini passou por um enorme constrangimento em plena sessão ordinária da Câmara na segunda-feira (8).

Na sessão, após ser discutida uma moção para um policial militar em Ponta Porã, os vereadores se reuniram para uma fotografia. Virginia conta que sentiu alguém passar a mão em seu corpo. Como estavam todos concentrados, olhando para a câmera, ela não conseguiu identificar, naquele momento, quem a havia assediado.

Mesmo sem saber quem era a pessoa, a vereadora pediu que parassem, pois o fato se repetia. Foi então que, indignada, Virginia se manifestou, pedindo ao presidente da Câmara, Idenor Machado, que tomasse uma providência. Em clima de tensão, o vereador e pastor, Cirilo Ramão, suspeito naquele momento, afirmava desesperado que não era o culpado e que tinha visto quem foi.

Apesar de sério, o caso foi tratado como brincadeira por alguns vereadores. Virginia conta que suspeitou do pastor Cirilo pelo fato do parlamentar ter dado risada. De acordo com ela, o momento em que o vereador ria foi até registrado em uma fotografia.

No entanto, como foi descoberto depois, o culpado pelo assédio foi o vereador Mauricio Lemes (PSB), que no momento do ocorrido, saiu apressado. Percebendo que o caso era sério, o vereador retornou a Câmara. “Ele voltou pedindo desculpas, me dizendo que tinha sido apenas uma brincadeira”, explicou Virginia. Como a delegacia da mulher estava fechada durante a noite, ela registou o B.O no dia seguinte. A delegada que cuida do caso é a Dra. Roseli.

A vereadora é uma das únicas duas mulheres na Câmara, uma situação de vulnerabilidade. Por conta disso, levar o caso a público e procurar justiça se torna um ato de coragem. Virginia recebeu uma mensagem da esposa de Mauricio, afirmando que o caso tinha sido apenas uma brincadeira, e que ela “iria destruir a sua família”.

Além da esposa, o pai de Lemes, que já foi vereador, também se envolveu no caso, chegando a ameaçar o Secretário de governo, José Jorge Filho. O secretário registou um B.O pelas ameaças recebidas. É mais um exemplo em que se tenta proteger quem comete violência contra a mulher, especialmente se a pessoa ocupa um cargo público ou possui alguma notoriedade.

A prova de que casos como esses são comuns é o fato de Virginia ter sido desestimulada por diversas pessoas a registrar o boletim, como se o assédio não fosse algo sério.  Outras pessoas ainda trataram o ocorrido no tom da brincadeira e da piada, como ela explica.

“Naquele momento, me senti um lixo, um objeto sexual. Não autorizo que ninguém toque no meu corpo. Isso mostra como ainda vivemos em um mundo machista, onde homens sempre predominam. Quem faz esse tipo de coisa não deveria ser permitido continuar no local”, afirmou ela. A vereadora não quer nenhum tipo de contato com Mauricio Lemes.

Apesar do machismo predominante, Virginia tem recebido apoio de diversos vereadores, de sua família e de outras mulheres. A vereadora acredita que seu partido, O Partido Progressista, (PP), está tomando providências.

O caso aguarda a decisão do B.O, além de resolução na Câmara. Um fator agravante é a relação de parentesco entre o vereador Mauricio Lemes e o procurador da Câmara, que são primos.

“Espero que, mesmo assim, ele vigie bem o caso”. É o que espera Virginia e todas as mulheres que sofrem com assédio todos os dias.

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