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COLUNA

Panorama, por Fábio Trad

Fábio Trad

A fé de Marquinhos

30 julho 2017 - 09h51

 



Pra mim, ele é Marcos, um irmão que nasceu cinco anos antes da Natureza me agredir os pulmões com a primeira lufada de frio oxigênio.



Pude estudá-lo durante três décadas e meia de consciência. Tarefa inconclusa. Conheço-o com a modéstia de um observador atento e, na medida do possível, imparcial.



Ao longo dos últimos anos, a observação se impôs como um prazer científico de um terapeuta improvisado.



Marcos, o Marquinhos, acredita. Este é o ponto. Ele acredita. Acredita!



Aqui, uma breve inflexão. A ciência ainda não conseguiu decifrar o mistério de uma força psíquica chamada Fé. Sim, pode ter até obtido localizar na tal glândula pineal o berço carnal da transcendência, mas não logrou explicar o que é Fé, por que ela existe, de onde se origina, qual a sua força e dimensão.



Pois bem, Marquinhos tem fé. Ponto final. Poderia parar o texto aqui, mas vou insistir porque a fé do Marquinhos precisa desta fraternal delação premiada.



Explico: a fé deste cara se alimenta de fatos que testam a sua fé. A equação se fecha em torno de si mesma, entendem? Não tem saída... é uma fé que milita involuntariamente.  



Vou lhes dar um exemplo recente: assim que noticiada a proposital redução do repasse do índice de ICMS para Campo Grande, muita gente reagiu com xingamento, ofensa e declarações apocalípticas, porém do moço se ouviu isto: “Deus não nos dá o fardo que não possa ser carregado”. Pronto, deste fato tenebroso e grave urdido pelos adversários políticos, extraiu a seiva para se fortalecer como propulsor de uma energia mental capaz de enfrentar o problema.



Nas audiências, nas reuniões, nos debates, nas caminhadas, ela e ele formam a unidade que dialoga em um mundo hermético e místico.



Claro que isto não o livra das investidas daqueles – e não são poucos, porque o Poder é uma usina de fabricação de desafetos – que visam enfraquecê-lo. Entretanto, o que lançam contra este homem de fé multiplica-se em mais fé como se o seu arcabouço mental fosse uma estação de tratamento de esgoto em que os resíduos pútridos lançados se transformassem em água potável.



Sim, este homem cometerá erros e sofrerá ataques. Não há paz na estrada da política, mas intervalos de guerra. A fé não garante a santidade, mas sem ela, o homem perde a centelha que o diferencia de um réptil.



A sabedoria da fé repudia o discurso moralista que flerta com o fanatismo arrogante. A humildade do Prefeito Marquinhos é a nossa garantia de que Campo Grande não é governada pelo populismo salvacionista.



 A fé de Marquinhos não é só religiosa. Ela é parte de seu aparelho psíquico.