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COLUNA

Tema Livre

A hipertensão e a revolução demográfica, por Ricardo Ayache

26 ABR 2019
Ricardo Ayache
08h22min

Estima-se que existam no Brasil mais de 30 milhões de hipertensos, destes, segundo o Ministério da Saúde, apenas 10% fazem o controle adequado e 50% sequer sabem que têm a doença. A pressão alta, como é popularmente conhecida, é a principal causa do infarto e de outras doenças do coração, que matam mais de 300 mil de pessoas todos os anos. E tem mais, cerca de 80% dos AVCs estão relacionados à doença, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Fiz questão de trazer todos esses dados para que se possa imaginar o tamanho dessa epidemia - que tem prevalência muito maior do que a de aids ou de diabetes. E esses números, infelizmente, não param de crescer. Por ser assintomática, o diagnóstico da doença vem, geralmente, acompanhado das complicações, muitas vezes fatais.

Embora fatores genéticos estejam diretamente relacionados à pressão alta, é o estilo de vida que agrava o quadro. Hábitos como tabagismo, consumo excessivo de sal e o sedentarismo são caminhos diretos para a doença. O baixo índice de efeitos colaterais dos modernos medicamentos anti-hipertensivos facilitariam muito a adesão ao tratamento se assim os pacientes o fizessem. Mas o que ocorre, é que a metade deles não adere ao tratamento medicamentoso e se recusa a mudar hábitos de vida. Uma combinação perigosa que, além de resultar em complicações fatais, reduz muito a qualidade de vida.

A população brasileira está envelhecendo, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o número de brasileiros com mais de 60 anos superou os 30 milhões em 2017. A tendência é que o envelhecimento da população acelere de maneira que, em 2031, o número de idosos supere o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil. 

Mas ao contrário de outros países, que primeiro enriqueceram, para depois envelhecerem, vivemos uma transição demográfica e epidemiológica sem termos atingido o desenvolvimento como país. Com isso, estamos migrando das doenças agudas para as crônicas, que, hoje, já representam 90% das mortes de idosos no país. Diante desse cenário, o caminho não pode ser outro, precisamos evoluir na cultura da prevenção e do cuidado.

Para que tenhamos uma vida longa, ativa e feliz é fundamental estarmos atentos aos seguintes hábitos: manter uma alimentação equilibrada e saudável, praticar atividade física, fazer uso moderado de álcool e não fumar. O grande desafio é conscientizar as pessoas de que esses são cuidados a serem tomados ao longo de toda a vida e não apenas quando a doença aparece.

Estamos, mais do que nunca, diante de uma revolução demográfica e temos, enquanto gestores e profissionais da saúde, a missão de preparar a população e nosso sistema de saúde para essa transição. Que esse Dia Nacional de Combate À Hipertensão sirva como sinal de alerta.

Ricardo Ayache é diretor-presidente da Cassems

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