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COLUNA

Tema Livre

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A passagem do tempo

26 junho 2019 - 09h09

Todo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar é um mergulho na alma humana. Seja de maneira mais escrachada como no começo da carreira ou com um estilo mais contido, como em suas últimas produções, está lá um requintado saber que dá sabor a seus geralmente surpreendentes roteiros.

“Dor e glória” dá mais um passo em sua consolidação da carreira. Muitos discutem até que ponto se trata de uma construção cinebiográfica. Talvez isso seja diminuir o potencial do filme de discutir questões essenciais da existência, que estão além da sexualidade e da crise da meia idade de um cineasta altamente reconhecido interpretado por Antonio Bandeiras, em um dos melhores papeis de sua carreira.

O grande assunto do cineasta neste filme é a passagem do tempo. Desse modo, ele reflete sobre a relação com o os pais, sobre a descoberta da arte e do amor e sobre as dores do mundo, que somatiza em seu corpo, numa sequência criativa em que texto afinado e imagens radiológicas e tomográficas se relacionam de maneira ímpar.

Assim como a cozinha vermelha da casa do protagonista, a abertura que alude ao psicodelismo e às drogas aponta para um filme que reflete sobre o envelhecimento do corpo e do espírito. Para retomara energia criativa, o personagem mergulha em seu próprio passado. Desse fundo do poço, encontra toda a força para emergir!

* Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.