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COLUNA

Tema Livre

A Roda, por Fábio Trad Filho

É o apagar das luzes...

26 ABR 2019
Fábio Trad Filho
13h41min

Durante o período medieval da história humana, o que compreendeu largo tempo de nossa existência como sociedade, entre os séculos V até XV, alguns costumes eram, no mínimo, curiosos.

Um destes era o das execuções e punições em praças públicas: Enforcamentos, “empalamentos”, mutilações, expiações, torturas eram eventos públicos e, atraiam milhares de pessoas nas praças, apenas para assistir o pingo do sangue, o ranger dos dentes, o quebrar dos ossos.

Há registros históricos de que as execuções eram tão desejadas que atraíam até mesmo casais de recém namorados que combinavam seus encontros nas “execuções”. Era como convidar para assistir a um filme no cinema, mas a morte e a tortura não eram fictícias e os namorados, abraçavam suas namoradas com os olhos marejados  após o último suspiro do torturado, muitas vezes inocente.

A roda era uma forma de tortura célebre, uma das queridinhas dos espectadores da época, consistia em: Quebrar todos os grandes ossos do torturado: Fêmur, Tíbia, Fíbula, Úmero, Ulna, Rádio, todos eles, um a um, para que o corpo pudesse se adequar a “roda”, e aí sim, com os dois braços erguidos e as duas pernas esticadas em um ângulo de 90° era afixado o corpo, sempre com o ser humano consciente e aí, o carrasco girava lentamente “A roda”, até que pelas leis da física e o limite da elasticidade do corpo, a carne ia se rompendo, rompendo, dilacerando, até partir o torturado ao meio, quando ainda consciente, urrava de dor, via suas vísceras espalhando ao chão, delirava de desespero e morria. A plateia aplaudia a víscera espalhada, o sangue , a dor e a morte.

O Iluminismo veio e o absurdo dessas demonstrações de animalização do espírito humano foi combatido e superado, e isso graças a matérias de estudo importantíssimas para a evolução do espírito humano e da consciência cívica, como: Sociologia, Filosofia, História e Antropologia, as mesmas matérias que o “presidente” Bolsonaro e seu ministro Abraham Weintraub pretendem desestimular os investimentos, até a extinção.

É o apagar das luzes. 

A volta ao medievo. 

É o girar da roda, e o corpo será o nosso.

 

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