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COLUNA

Tiro Livre

Vinícius Squinelo

Bandido bom é bandido morto vale também para políticos, ou é só pra pé rapado mesmo?

Interessante notar apenas que a revolta pública, tamanha que pede a execução em praça pública, normalmente passa longe da classe política brasileira

31 janeiro 2018 - 11h10

Na atual época de convulsão social e total falência dos poderes instituídos, ganha força a tese do ‘bandido bom é bandido morto’, tão propagada por integrantes de qualquer classe social, em especial nas redes sociais. Interessante notar apenas que a revolta pública, tamanha que pede a execução em praça pública, normalmente passa longe da classe política brasileira, revelando um lado, no mínimo,  hipócrita de cada um de nós.

A diferença de discurso é visível rapidamente, só olhando os comentários de qualquer site de notícias, como o TopMídiaNews. O mesmo que comenta ‘mais um que vai pro inferno e merece’ em um caso policial, que muitas vezes sequer leu, rapidamente se apressa em defender o político de estimação. “Tem que ver as provas”; “é só investigação, não condenação”: são dois comentários tradicionais em matérias sobre a Lama Asfáltica, por exemplo.

A tal cultura do bandido bom é bandido morto se mostra bem mais pomposa e forte quando  o tal bandido é pé rapado – observem que  ninguém está aqui defendendo ou falando em ‘vítimas da sociedade’. O tamanho da revolta diminui drasticamente quando o bandido em questão  ocupa um alto cargo político ou é um empresário de grandes posses.

Saindo das redes sociais então...  quando cruza com  os ditos ‘bandidos’ da política regional, o sul-mato-grossense   normalmente corre para um cumprimento, quem sabe uma foto, acompanhado de um ‘bom dia, como vai  o senhor’. Pra esses, a Justiça deve determinar a culpa, e não a sociedade.

A mesma diferença de discurso é vista quando é o filhinho de papai comprando drogas no Tiradentes, por exemplo, ou quando um jovem classe média mantém relações sexuais com menores de idade. Apesar de ambos os crimes serem tipificados no Código Penal, pra esses poucos pedem a morte. ‘É só uma maconhinha’ em um caso; ‘a menina queria, é dadeira’, falam no outro.

Longe de incitar a violência, o texto serve apenas como reflexão. No momento em que a sociedade abandona a  isonomia e crê na Lei d e Talião, podemos decretar enfim o fim do Estado de Direito. Afinal, até para a decretação de pena de morte nos Estados Unidos há um julgamento com direito a ampla defesa...

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