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COLUNA

Tema Livre

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Desejo de igualdade

18 julho 2019 - 09h03

O que mobiliza mais uma pessoa? O amor? A ideologia? Ou o desejo de igualdade entre as pessoas e os países? Esse tipo de indagação é uma excelente porta de entrada para o filme “A espiã vermelha”, dirigido por Trevor Nunn, com a bela Sophie Cookson e a mais que competente Judi Dench representando a protagonista em momentos diferentes.

A narrativa se baseia no livro de Jennie Rooney sobre a vida de Melita Norwood, que, na década de 1940, passou informações sigilosas do Reino Unido para a União Soviética sobre pesquisas envolvendo a produção de uma bomba atômica. Descoberta anos depois, já idosa, teve sua história de vida levantada e devassada.

O mais interessante no filme está nos dilemas da protagonista. Ela é apaixonada por um jovem comunista, quase destrói a vida de um cientista que se tornaria seu marido pelos crimes de traição que ela havia cometido e se defende das acusações, dizendo que não buscava prejudicar o Reino Unido, mas sim igualar a pesquisa atômica entre Oriente e Ocidente.

É nessa confusão de sentimentos que a vida da protagonista se desenvolve. Ela só decide passar segredos aos soviéticos por acreditar que dessa maneira pode estabelecer uma maior igualdade na corrida armamentista da Guerra Fria. E toma essa decisão impactada pelo número de mortes causadas pelas bombas atômicas jogadas pelos EUA no Japão.

Discutir se tomar esse caminho baseado nesse argumento é correto é complexo e polêmico. De qualquer modo, o filme levanta uma questão essencial: toda decisão tem um motivo. E entender o que motiva cada passo que damos ou que os outros tomam é sempre um passo para entender melhor a nossa vida e a dos outros. Sem dúvida, essa reflexão vale a pena.     

* Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.