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COLUNA

Em estupro de criança de 11 anos, culpar vítima e pais expõe machismo do dia a dia

Vítima e família foram colocados no banco dos réus por autoridades em MS

17 julho 2018 - 23h00

O estupro de uma criança de 11 anos no bairro Vida Nova, em Campo Grande, voltou a expor um grande problema das vítimas de violência sexual: o descrédito tanto das autoridades quanto de pessoas que acompanham o caso à distância. O machismo do dia a dia ficou bem claro em duas situações distintas envolvendo o caso, como explicamos a seguir.

Sem inocência

O primeiro problema afeta diretamente a criança vítima de estupro. Durante coletiva de imprensa, autoridade policial sugeriu que o caso precisa ser averiguado com cuidado, pois menina de 11 anos, mas “com corpo de 14” pode ter consentido com a situação, onde o suspeito é o primo de 21 anos.

A lei mudou?

Claro, casos de estupros devem ser analisados com cuidado, sempre, mas o corpo da criança deve ser critério na questão? Até onde a lei brasileira atua, sexo com menor de 14 anos – consentido ou não – é estupro de vulnerável. Ou será que a legislação mudou e ninguém foi informado ainda?

Culpa da família

Ainda no mesmo caso, em outro momento, a família da criança foi colocada no banco dos réus. Pais foram responsabilizados pelo estupro da menina, pois a deixaram sozinha com o primo maior de idade. Não que todo cuidado seja pouco, mas desde quando pais recebem bolas de cristais e identificam todo abusador em potencial, ainda mais dentro da própria família? É errado uma mãe ou um pai deixar uma criança com outro responsável por alguns momentos de lazer? No mínimo, são reflexões necessárias considerando que ninguém tem o caráter estampado na testa.

Vergonha coletiva

Saindo da polícia para falar em política, a nova moda das ‘vaquinhas’ online não tem rendido muitos frutos aos pretensos candidatos. Até agora nenhum nome conseguiu empolgar o eleitorado e os que se arriscaram na arrecadação pela internet amargam números bem próximos ao zero em Mato Grosso do Sul.

Buraco é mais embaixo

E se dinheiro move a política, não surpreende que as alianças sejam baseadas neste fator também. Diversos partidos estão super preocupados com as composições da minoritária exatamente para garantir que a fonte não seque, afinal quantos mais eleitos, maior a fatia do fundo partidário.

(Foto: Wesley Ortiz)