(67) 99826-0686
entregas
COLUNA

Top Play

Games, geeks, diversão e muito mais

Free Fire não transforma seu filho em assassino

Acusações contra jogos são infundadas, e querem relacionar a responsabilidade das tragédias de um jeito completamente errado.

14 MAR 2019
Fernando Fenero
13h00min

Sempre é assim quando acontece uma tragédia provocada por gente jovem, a mídia e alguns setores do governo procuram a responsabilidade como se não fosse do próprio indivíduo causador da tragédia. 


Antigamente, era o Rock que transformava nossos jovens em assassinos, houve um tempo que era o Cinema e a Televisão, na década de 90 o foco ficou dividido entre o RPG e os videogames, sem ninguém ter certeza qual dos dois era a maior máquina de monstros. 


Mas a verdade é que isso é pura bobagem de quem desconhece do que fala, e esse tipo de notícia envolvendo jogos e os crimes de Suzano vão criar muito conflito de pais preocupados e seus filhos. Vamos alguns fatos que foram ignorados:

 

1 – Jogos tem classificação indicativa.

Criança nenhuma tem dinheiro para comprar um Playstation 4 ou um Moto G para jogar o que quiser. O papai e a mamãe tem que ir na loja comprar o produto e autorizar a instalação dos jogos.  GTA é um exemplo bom, é um jogo adulto com classificação indicativa para 18 anos. 
Se você não deixa seu filho assistir pornografia, talvez não seja uma boa idéia permitir que o mesmo jogue o game que envolve praticar latrocínio e outras modalidades de crime. Free Fire por sua vez, tem uma classificação indicativa de 14 anos. É tão prejudicial para um adolescente quanto a novela das nove.

Vale lembrar que a responsabilidade do que seu filho assiste e joga é dos pais, não do governo ou das empresas que fabricam os jogos. Outro ponto importante, é considerar que assassinos de Suzano tinham 17 (quase 18) e 25 anos, longe de serem crianças influenciáveis. 

 

2 – Jogos no Brasil 
Somos o quarto maior mercado de games, perdendo só para USA, Rússia e Alemanha. É uma indústria que sustenta muita gente, desde desenvolvedores, varejistas e suporte técnico, são 35 milhões de jogadores no país segundo pesquisas recentes. 
Hoje em dia, as pessoas gastam em média 10 horas semanais com videogames, é menos que na internet ou na televisão, e isso vai desde a senhorinha que joga Candy Crush até o jogador profissional de League of Legends. 
Se isso realmente causasse algum dano cerebral, vocês realmente não acham que o país viveria um surto de violência gratuita? 
Demonizar essa indústria é até irresponsável, já que muita gente depende dela, e não é como se fosse única e exclusivamente entretenimento violento.

 


3 – Estudos não vêem ligações de agressividade em adolescentes e jogos violentos
Esses dados são de um estudo divulgado dia 13 de Fevereiro de 2019, realizado na Universidade de Oxford, com adolescentes de 14 e 15 anos e seus responsáveis.  Foi medido o grau de agressividade dos jovens e feito comparações com o feedback dos pais e responsáveis. 
Não houve evidência alguma da ligação de envolvimento com jogos violentos e em comportamento agressivo por parte dos jovens.  Segundo os coordenadores do estudo, o viés ideológico dos pesquisadores de estudos anteriores certamente influenciou no resultado que sugere algo diferente. 
O texto publicado na Royal Society Open Scient pode ser acessado no seguinte link: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rsos.171474

 


4 – Benefícios dos Jogos
Jogos eletrônicos podem beneficiar quem joga de várias formas diferentes. Desde criar familiaridade com idiomas diferentes, até a melhora da capacidade de coordenação motora, raciocínio, visão e assimilação de estímulos visuais. 

Hoje em dia pode se pensar até em carreira na área, tanto na parte competitiva como um profissional de qualquer esporte, quanto também na área de entretenimento e desenvolvimento de jogos. 

 

 

 

Por fim, é obvio que existe uma linha clara do que é saudável e do que faz mal. Ninguém deveria ficar o dia inteiro grudado no celular ou no videogame, até porque isso não faz bem para a saúde.  Ter horário para jogar e realizar atividades ao ar livre são fundamentais para o desenvolvimento dos jovens, mas muitos pais preferem só criar restrições sem dar contra partida. 

O diálogo e o entendimento com as crianças e adolescentes ainda é a melhor ferramenta para os responsáveis, caso a criança esteja jogando algum jogo violento e você não ache adequado para idade dela, argumente o mostre opções diferentes (essa coluna sempre sugere jogos para todas as idades). 

De qualquer forma, seu filho não corre o risco de se tornar um psicopata por causa do jogo, a sua presença e carinho na vida dele é muito mais importante do que qualquer tipo de lazer. 

Veja também