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COLUNA

Tiro Livre

Vinícius Squinelo

Ioga pra presos, impostos e criminalidade pra ‘soltos’; bem-vindo ao Brasil!

Presidiários tem acesso a benefícios impossíveis para quem está aqui, do lado de fora das grades

17 dezembro 2018 - 09h02

No Complexo Penal de Pinheiros II, oeste paulistano, 1.541 presos tem a opção de se revezar, em grupos de 20, em uma confortável aula de ioga, com direito a assistir TV após a atividade. De crimes ‘leves’ a homicídios e estupros, os presidiários tem acesso a benefícios impossíveis para quem está aqui, do lado de fora das grades.

Por aqui, quem tenta viver dentro da Lei – tenta mesmo, porque olha, tem dia que é difícil – o ‘ganho’ é o mesmo de sempre: mais impostos e mais medo de uma criminalidade recente. Aqui fora, a realidade é viver em um País com salário mínimo menor que mil reais, quando estudos apontam que o ideal para viver com dignidade seria pelo menos 3,2 mil reais, ganho esse restrito a cerca de 20% da população brasileira.

Fora das grades, a luta diária é para pagar as contas, ter o que comer, e com sorte conseguir tomar uma cerveja ou fazer um churrasco, com carne de segunda é claro, aos fins de semana. Se as coisas melhorarem, fazer uma academia ou colocar o filho no inglês. Isso em um ótimo quadro, já que cerca de 25 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da miséria, ou seja, não tem o que comer.

Enquanto isso, os cofres públicos bancam 2,4 mil reais para manter cada um dos presos no País. Tudo pago pelo resto da população. Infelizmente, o projeto que obriga eles a pagarem sua própria estadia – de autoria do senador de MS Waldemir Moka – não saiu do papel. São 602 mil presos no País, com gasto de 1,4 bilhão de reais ao mês, ou 16,8 bilhões AO ANO. É quase o que o Governo gasta para atender 14 milhões de família com o bolsa família.

A Constituição Brasileira prevê, sim, a ressocialização de presos. Assim como prevê que o Governo dê condições dignas de vida a cada cidadão. E não cumpre ambos.

No fim, já passou da hora dos presos pagarem pelas suas estadias na prisão, assim como qualquer cidadão paga seu arroz e feijão de cada dia.

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(foto de capa: Foto: Edu Garcia/R7)