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COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Por Pedro Martinez

Kindergarten Teacher: gêniozinho...

Até aonde vai um sonho?

10 JUL 2019
18h00min

Para quem não está lembrado, Maggie Gyllenhaal, que é irmã de Jake Gyllenhaal, o eterno Donnie Darko, vem se revelando uma das experientes e confiantes estrelas de Hollywood. Ela compila performances de luxo, como em Crazy Heart, indicada ao Oscar em 2009, misturadas com participações em um ou dois blockbusters. Mesmo depois disso, e da conquista do Globo de Ouro em 2014 por Honourable Woman, a indústria meio que a esquece de honrar seu devido valor e impacto. Mas no início desse ano, 2019, ela pode receber a devida atenção nesse Kindergarten Teacher, no qual protagoniza e estréia como produtora, elevando assim seu patamar no hall de pessoas que podem trilhar um caminho de sucesso no cinema.

Nesse, que é um remake americano do sucesso de mesmo nome do israelita Nadav Lapid de 2014, conheceremos a história de Lisa Spinelli, uma dedicada professora do jardim de infância de Staten Island com uma paixão fora do comum por poesia. Com o intuito de satisfazer sua sede por expressão e reconhecimento artístico, ela frequenta aulas de poesia dadas pelo professor Simon (Gael Garcia Bernal), que não a enxerga, apesar das tentativas dela, como com todos a sua volta, e não consegue ganhar o reconhecimento artístico desejado.

Porém, o destino dela muda radicalmente quando uma das crianças de sua turma, Jimmy Roy (Parker Sevak) se mostra como um gênio noir prodígio na poesia que ela tanto preza em alcançar. Conforme o curto tempo passa, ela vê que ninguém está interessado em cultivar o potencial do garoto, então ela mesma assume as rédeas e nisso desencadeia uma série de acontecimentos que vão desafiar as leis da ética profissional e disseminar, apesar de às vezes nos fazer entendê-la, um desconforto peculiar em nós espectadores.

A idéia santificada de se tratar de uma criança é inteligentemente desvirtuada para dar lugar a um processo de mudança interior de uma mulher que pensa ser resolvida mas no fundo é rejeitada e não possui sua própria voz; aprisionada numa rotina diária sem prazer e resumida por uma família banal, disfuncional e muitas vezes monótona previsível. Vejo nesse desvirtuar um desafio perigoso, já que ele antagozina algumas de nossas certezas mais elementares. Mesmo assim o filme é extremamente perspicaz e poderoso neste sentido diferente de ser.

A personagem até certo ponto conquista da gente uma certa empatia ao imprimir um tratar delicado e sedutor em suas ações, olhares e mínimas palavras. Em suma ela utiliza um coquetel de firmeza e carinho para cativar o menino, ao mesmo tempo que manipula sua atenção e aceitação. Esse jogo, no começo, parece só um vislumbre, tal como acontece com a manipulação, e por isso é natural que nós percamos a noção de errado, tudo em nome da oportunidade de testemunhar a consagração de uma personagem até certo ponto heróica, apesar de deturpada.

É inusitada a forma como a diretora Sara Colangelo oferece esse espaço de mundo como num feitiço, dando razão a obsessão de Lisa. O roteiro têm um olhar compreensivo e protetor de sua heroína e se recusa a polir em tela uma imagem de terror que possa preencher nosso coração com relação a protagonista e a criança. Ao invés disso foca na ideia de preencher um vazio, atribuindo a isso uma dose de legitimidade ás ações da professora.

Destaca-se nessa produção a vontade de reproduzir todas essas idéias e conflitos de forma despreocupada e extremamente leve, não deixando para trás o intuito escancarado de sempre implantar na história a transição de drama alternativo em um thriller de arrancar os cabelos.

Kindergarten Teacher é um dos casos de remake que suplanta o original, graças ao trabalho de uma excelente atriz que, quase irônica sem querer, ao contrário da personagem, encontrou o papel que lhe potencializa todo o reconhecimento do mundo.

5 pipocas!

Disponível para download via torrent no Lime Torrents.

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