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COLUNA

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Pedro Martinez

O Rei Leão: um grande remake...

De volta a infância

24 julho 2019 - 11h30

O Rei Leão novamente está em alta, merecidamente. Essa é uma das obras consideradas universais da Disney. Seja adulto ou criança, gerações de diferentes localidades amam a história; e é, inclusive, bem difícil encontrar alguém que não lembre do conto de Simba e seu grande bando.

Por causa disso é até um pouco complicado não comparar-se tudo com a obra original de 1994, quando formos ver essa nova versão beta de 2019. Lembre-se que já passaram 25 anos e agora o desenvolvimento de técnicas de direção, produção e artes visuais vai muito além do que era possível a mais de duas décadas atrás. O que é muito bom para nós espectadores.

A proposta do novo O Rei Leão era justamente pegar a obra original, literalmente cena por cena, e transformá-la em uma animação agora fotorrealista, onde os animais se comportam exatamente como os animais que são, com seus trejeitos e movimentações naturais.

Acredito que a missão do diretor Jon Favreau era menos complicada entre os diretores que toparam recriar clássicos, porque ao refazer O Rei Leão, ele não precisaria lidar diretamente com atores em cena. Tudo bem que a Disney espalhou por aí que o remake do leãozinho órfão seria um live-action porém, na verdade, ele é uma animação hiper-realista. Os animadores ficaram livres para recriar a história da forma mais fiel possível, sem nenhum ator pra ficar reclamando de tudo.

É impressionante como a movimentação e pequenas nuances das criaturas foram feitas para a tela. Isso criou momentos nos quais nos sentimos a assistir um episódio qualquer de um programa do Animal Planet. O limite ali não foi o céu; eles foram até onde a capacidade técnica permitiu. O que realmente se fez foi um teletransporte até a África.

A gente pode até pensar que refazer uma obra prima é caminhar sobre cascas de banana, mas aqui o resultado teve um teste realizado antes. Favreau havia aprendido a fórmula quando dirigiu Mogli, o Menino Lobo em 2016, onde também criou "bichos" tecnológicos, por isso talvez sua experiência é que conseguiu lhe render um dos melhores remakes já feitos. E te digo mais; aqui o diretor entendeu de uma vez por todas que em time que está ganhando não se mexe pois o roteiro é fiel ao original. Sério. Algumas cenas foram refilmadas quadro a quadro. Até minúsculos insetos passam na tela do mesmo jeito que passavam nos anos 90. Não tem nada de personagem novo, nem trama paralela e muito menos inversões mirabolantes de clímax. A roda não foi reinventada.

Um dos pontos interessantes fica a par da inserção de valores modernos a trama, sem, é claro, exageros. Nala e as outras leoas surgem mais fortes que as originais, numa alusão importante ao emponderamento feminino. Mas nada forçado, até porque Nala sempre foi independente e decidida - tanto que é ela quem foge e vai buscar Simba para salvar o reino, ao invés de deixá-lo virar um hippie paz e amor (nada contra os hippies, inclusive adoro).

Outro detalhe, não menos importante que as mulheres, é que o filme não cái na tentação de suavizar o mundo para as crianças. A vida é dura sim. Não precisa ser tão cuidadoso assim. O longa assusta, dá um medão, mostra assassinato, injustiça, hienas carniceiras e porradaria de leões até a morte. Nada foi acolchoado botando os pequenos dentro de uma cúpula blindada para não transformá-los em adolescentes/adultos rebeldes.

O fato é que O Rei Leão nos apresentou um formato novo de cinema, não só pela maravilha estética/tecnológica mas também pela releitura da narrativa. É lógico que não vai ser melhor e nem pior que o original; devemos situar cada filme. Nesse novo há beleza em torno de algumas saídas encontradas para mostrar expressão sentimental nos animais, associadas a movimentos condizentes com a realidade. Tudo isso torna a obra de Jon Favreau algo único.

5 pipocas!

Em cartaz nos cinemas.