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COLUNA

Pacote de maldades: Marun sugere cobrar SUS, anistia ao caixa 2 e chama pré-candidato de débil mental

Ideias ‘progressistas’ de ministro mostram plano de governo assustador

23 julho 2018 - 23h00

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, nunca foi conhecido por ter papas na língua, mas parece ter alcançado o auge em carta vazada pela imprensa nacional nesta segunda-feira (23). Em texto destinado ao pré-candidato à Presidência, Henrique Meirelles (MDB), ele propõe um plano de governo radical, recheado de ideias progressistas e, devemos falar, também um belo pacote de maldades.

Adeus SUS I

Entre os pontos mais polêmicos da carta – e são vários – está a possibilidade de cobrança do atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Marun defende a continuidade de programas como Bolsa Família, mas sugere que o acesso gratuito à saúde esteja restrito a famílias realmente carentes, sendo cobrada uma taxa – que ainda não tem valor estipulado – aos demais.

Adeus SUS II

Em outras palavras, transformamos um modelo de saúde que é exemplo no mundo em um serviço pago. Afinal, por mais problemático que seja, o SUS ainda é a garantia de atendimento irrestrito para toda a população. Assim, quem tem condições vai ter que pagar em dobro considerando que o serviço é custeado com impostos e, quem não se enquadrar nas regras adotadas no possível novo regime, vai ficar a ver navios dependendo da solidariedade alheia.

Pegadinhas

Disfarçada de proposta positiva de combate à corrupção, Marun ainda sugere anistia ao caixa 2 - desde que não ocorra nas próximas eleições, promete -; uma nova corte acima do STF (Supremo Tribunal Federal) para mediar conflitos com a Constituição Federal (quão poderosa?); e a inclusão de programas educativos produzidos pelo Estado, das 9h às 11h e das 14h às 16h, na TV pública (alguém mais leu propaganda institucional gratuita e lembrou a Hora do Brasil que era realizada durante a ditadura?).

A volta dos que não foram

São citados ainda projetos para garantir a reforma da Previdência e radicalizar as privatizações, mas eles nem assustam tanto se considerarmos que Marun defende um governo “que não seja refém das mazelas de um presidencialismo de coalizão”, que tem a “tendência a transformar-se em um balcão de negócios”. Ou seja, um governo que não dependa dos deputados e senadores para aprovar o que deseja. Dá medo, né?

Desrespeito

Por fim, ainda chama o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, de ‘débil mental’ em menção às negociações do apoio de partidos do chamado Centrão (DEM, PP, PR, SD e PRB), que acabaram beneficiando Geraldo Alckimin (PSDB). E quando o assunto foi a público, ao invés de desculpar-se pelo termo usado, justificou apenas que qualquer pré-candidato ‘deve ser publicamente tratado com maior respeito’.

(Com informações do jornal Folha de S. Paulo)