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COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Por Pedro Martinez

Shazam!: todos querem "ser grande"...

Sonho de criança

12 ABR 2019
17h08min

O mais importante a destacar, para começo de conversa, é a mudança do Universo DC desde Mulher Maravilha e  Aquaman, para chegar aqui em Shazam!, que recém estreou nos cinemas. A inocência agora é a parte fundamental para Shazam!. Criado por C.C. Beck e Bill Parker, esse herói, que antes foi Capitão Marvel, fala literalmente de um sonho de criança: ser grande. Billy Batson é um guri comum, mas que ganha poderes super uper após ser escolhido a dedo pelo mago SHAZAM!, que é um acrônimo de Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, e quando ele fala a palavra mágica, mesmo transformado em adulto, o protagonista continua a ser uma criança de 14 aninhos. Isso, é um adulto no corpo de uma criança.

Agora, passados quase 80 anos depois da primeira aparição lá na Whiz Comics, nosso querido Billy volta à cena, em sua versão pro cinema, muito fiel a esse espírito ingênuo característico.

O filme, com a direção de David F. Sandberg e o roteiro escrito por Henry Gayden, parece ter saído diretamente de uma Sessão da Tarde com a cara dos anos 80 e 90. E não se trata somente de nostalgia traduzida em referências - uma delas à Quero Ser Grande (Big, 1988). Shazam! é um filme de outra época. De forma inédita, agora, esse longa do Universo estendido da DC deixa para trás todo o estilo Snyder, focado em trevas e tragédias, para focar inteiramente em humor e graça juvenil pura.

- Como assim, Pedroka?!

Shazam! com seus closes mais próximos, o tal plano holandês, slow motion e todas suas câmeras subjetivas parece sair direto das páginas de uma HQ clássica; não mais as atuais sombras de graphic novels (só um nome mais "chique" para HQ).

Já de cara, na primeira cena, sem spoilers, nos apresentam como nasceu o vilão, Dr. Silvana (Mark Strong), onde nota-se o uso de uma linguagem exagerada e bastante sentimental para estabelecer as situações e sustentar os diálogos - característica muito utilizada em produções oitentistas que adoravam o caricato no lugar de algo mais pragmático. Tanto que a estética do filme em si nos dá essa sensação, já que Sandberg usa cortes abruptos e efeitos visuais um tanto mais precários pros padrões atuais (os monstros dos Sete Pecados Capitais inclusive são uma mistura de Gremlin com gárgulas de Os Caça-Fantasmas).

E você pode até achar que é um experimento cinematográfico da DC, tendo a chance se tornar uma paródia, mas não é, principalmente porque acertaram em cheio com o elenco. Asher Angel e Zachary Levi compõe uma transição quase perfeita entre Batson e Shazam!. Eles têm carisma e muita presença para nos entregar um gurizinho sem noção nenhuma para lidar com essa trajetória de transformação de um herói digno dos poderes que recebeu. Nesse mesmo caminho está lá Jack Dylan Grazer, que interpreta um Freddy sendo mais que um mero ajudante - é ele o condutor da jornada emocional de Billy Batson. Sem contar o resto dos membros da família: Grace Fulton como a inteligente Mary, Ian Chen como o hacker/gamer Eugene, Faithe Herman como a adorável Darla e Jovan Armand como o forte porém quieto Pedro. Além de Marta Milans como a mãe Rosa e Cooper Andrews como o pai Victor. Esses bons papéis nos fazem acreditar que, em suma, Shazam! se trata das alegrias de ter superpoderes e da lição de que a família é sempre importante.

Também é interessante o outro lado de Mark Strong como Dr. Silvana. Ele não priva em nada seu lado vilanesco - seu figurino é até imponente e lembra o dos quadrinhos. Já os monstrinhos, Os Sete Pecados Capitais, libertados por Silvana, são a ameaça pontual para que as lições do filme sejam inseridas. E a ação é representada aqui quase como uma piada no lugar de grandes momentos pomposos e mirabolantes. É tudo simples e por isso mesmo surpreende. Isso se deu principalmente porque Shazam! conseguiu guardar seus segredos e isso revelou gratas surpresas.

Shazam! traduz em sua inocência uma obra simples, longe de uma perfeita computação gráfica, captura de movimentos e universos compartilhados. Recebeu uma perfeita linguagem para contar uma história acessível a qualquer idade, engraçada e que faz um sentido completamente crível. Tem significado para adultos mas também é direcionado às crianças que, como Batson, podem sentir o gostinho de ser um superherói.

5 pipocas!

Em cartaz nos cinemas.

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