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COLUNA

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Pedro Martinez

Skin: há esperança no amor...

O ódio busca um fim

28 agosto 2019 - 09h52

Abordando temas extremamente atuais e relevantes como o racismo, fascismo e supremacia branca, o ganhador do Oscar de melhor Curta-Metragem por “Skin” (2018), o diretor e roteirista israelense Guy Nattiv lançou o longa homônimo, aclamado pela crítica durante o Festival de Berlim de 2019. Em sua obra, o cineasta aborda de maneira sensível, humana e tocante, a jornada em busca de redenção de um homem doutrinado para cometer atos de extrema violência, disseminando o ódio através do discurso neonazista.

Na trama, o protagonista Bryon Widner – interpretado de forma brilhante e visceral por Jamie Bell (“Billy Elliot”) – é um supremacista radical dos EUA. Apesar de suas ações sanguinárias e extremistas, Bryon se mostra cansado de seu modo de vida regado a crimes e devassidão. O protagonista vê na relação com Julie (Danielle MacDonald), mãe de três meninas, uma forma de construir laços afetivos e ter uma família.

“Skin” narra os caminhos de Bryon em busca de redimir seus crimes, mudar de vida e apagar as diversas tatuagens referentes à supremacia branca que carrega no rosto e no corpo. O longa é baseado na vida do ex-skinheads Bryon Widner, integrante de uma gangue chamada Vikings, responsáveis por uma série de ataques e assassinatos de negros e imigrantes.

A obra de Nattiv é uma pérola do gênero, capaz tocar, incomodar e emocionar na mesma intensidade. O ponto alto da produção é nunca soar grandioso em sua narrativa ou ter a pretensão de ser único. Guy Nattiv não vai na contramão dos clássicos do gênero, usando artifícios já conhecidos da temática. “Skin” é um belo filme por narrar uma história real, contando com atuações verossímeis de seus intérpretes. No primeiro ato, somos apresentados a Bryon Widner que, apesar de seu jeito assustador, tem um lado humano e dócil no momento em que está com seu cão Boss ou quando defende três meninas após uma agressão.

Jamie Bell revelou todo seu talento para o drama, e em “Skin”, o ator é coroado como a grande estrela do filme. Bell está completamente entregue ao seu personagem em uma atuação visceral e pesada, conseguindo mesclar cenas de puro ódio e amor com a mesma intensidade.

O roteiro contribui muito para a construção de seu protagonista, mas, é nas mudanças faciais do ator que vemos o quanto ele é grande. Jamie traz um personagem perdido, humano e doutrinado para cometer atos de pura violência em uma vida amoral, baseada em um discurso de ódio.

Apesar do roteiro ser um pouco mais florido em alguns pontos, a montagem salva em momentos cruciais, principalmente, com o ótimo uso de flashfowards, que aguça a curiosidade de quem assiste. A jornada de retirada das tatuagens assustadoras de Bryon reflete a coragem, a força e a resiliência de seu personagem.

Em seu desfecho, “Skin” deixa uma mensagem esperançosa de uma vida construída em tempos de ódio, regenerada.

5 pipocas!

Disponivel para download via torrent no Pirate Bay.