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COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Por Pedro Martinez

Vidro: existem super-heróis?....

Super poderes

22 JAN 2019
09h01min

Lá pelos anos 2000, o diretor M. Knight Shyamalan trouxe as telinhas do cinema Corpo Fechado, um longa que mergulhava no universo dos super-heróis, grande sucesso dos dias atuais, mas de uma forma mais discreta e até diria minimalista e que foge dos estereótipos empregado nos mesmos.

Nesse, nos apresentam David Dunn (Bruce Willis), um pai de família comum, que parece desenvolver força sobre-humana para sobreviver a um grave acidente de trem, e Elijah Price (Samuel L. Jackson), um homem portador de uma doença óssea  que acredita que David é um super-herói. Essa era a abertura da trilogia que continuaria quase 16 anos depois.

Veio então sequência não declarada, Fragmentado que acompanha Kevin Crumb (James McAvoy) e trouxe um ar mais denso e intelectualizado sobre um jovem que possui uma dezenas de personalidades distintas, onde uma delas o torna selvagem e animalesco, esse mostrado como um super-poder, apesar de ser aterrorizante.

Vidro, enfim, é o encerramento dessa "trilogia surpresa" e chegou aos cinemas prometendo dar aos fãs um genial desfecho.

Nesse novo longa, Dunn agora é dono de uma loja de segurança doméstica e administra o local junto com seu filho Joseph (Spencer Clark),  ao mesmo tempo que nas horas vagas é uma espécie de justiceiro. E agora sua grande missão é capturar Crumb, que continua usando suas dezenas de facetas para sequestrar jovens e deixar que A Fera, seu elter ego animalesco, apareça para terminar o serviço. Porém eles acabam capturados e levados para um hospital psiquiátrico, onde são supervisionados pela Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson), psiquiatra especializada em indivíduos que acreditam possuir super poderes e que já atende, há anos, Ellijah.

Antes de mais nada, pra mim, é necessário pontuar a genialidade de M. Night em criar um universo de suspense que talvez nem tivesse pretensão de acontecer, mas virou um dos filmes mais esperados do diretor nos últimos anos. Ele entrelaçou as histórias desses 3 personagens e deu ao público referências sutis que interessam aos mais atentos por detalhes dentro de um roteiro complexo. E tudo isso sem entregar de mão beijada qual a verdadeira ligação entre os personagens.

Vidro, como em quase todos os filmes do diretor, investe na pessoa comum capaz de coisas extraordinárias e na discussão da fé (fé em si, no outro, no divino, no invisível) e na própria negação da dúvida.

A ciência tenta meio que descredenciar os espetaculares poderes e peculiaridades desses 3 indivíduos, através da lógica e do método científico mas quando o faz, os submerge nesse jogo de dúvida e descrença que acaba por corroborá-los, colocando-os a prova e os justificando.

Mas no fim das contas, quando a ciência e a realidade tentam desmitificar o herói,  apenas torna a coisa mais real e mais palpável. É difícil dizer o quão diferente seria essa obra se não fosse pelo seu trio de protagonistas.

Vidro chega como um dos melhores filmes da carreira de Shayamalan e o reafirma como um diretor que gosta de correr riscos quando insere suas próprias crenças em seus filmes. Encerra-se assim a trilogia de forma concisa e com decisões irreversíveis e nos dá adeus na hora certa.

5 pipocas!

O filme está sendo exibido em todos os cinemas.

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