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COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Pedro Martinez

Adoráveis Mulheres: elas podem tudo...

Feminismo em foco

11 janeiro 2020 - 09h36

O magistral Little Women (Adoráveis Mulheres) de Greta Gerwig é uma candidata infalível ao Oscar, rezam os boatos.

Esta oitava versão cinematográfica da história aclamada de Louisa May Alcott de quatro irmãs que atingiram a maioridade nos Estados Unidos na década de 1860 chega como uma cesta de Natal de bondade cinematográfica. Sua modernidade é um choque - se eu me referir ao texto, onde as sementes da modernidade estão em todas as páginas.

As feministas discutem há muito tempo se o livro capacita as meninas jovens ou as envolve em um espartilho de fantasia da classe média sobre o lar. A diretora Greta Gerwig encobre essa corcunda com o mínimo de confusão possível e é admirável a simplicidade usada para permitir as duas coisas. É uma versão tradicional de Little Women, na qual as emoções, a dor e as paixões das mulheres March são respeitadas; também é tão fresco e contemporâneo como se Jo, Beth, Amy e Meg estivessem morando lado a lado e jogando Banco Imobiliário no fim de semana.

Alcott escreveu Little Women em 1868, a pedido de seu editor (um homem), que queria uma história para meninas. Alcott não gostou da idéia, preferindo escrever sobre meninos. Ela se forçou a escrever uma autobiografia disfarçada, com o máximo de realismo possível. Isso significava que a personagem de Jo, baseada em si mesma, também era escritora, e tentava encontrar sua própria voz no romance.

Esse detalhe é tão importante que, em uma cena, Jo visita a editora de um semanário sensacionalista chamado The Volcano, onde um Sr. Dashwood diz a ela para cortar as lições morais de sua história. "A moral não vende hoje em dia", diz ele, riscando grandes seções em vermelho.

Gerwig recria essa cena quase como uma obrigação. É significativo quando Saoirse Ronan se obriga a entrar nos escritórios cheios de fumaça de uma editora de Nova York. Esta cena dá ao roteiro de Gerwig a sua idéia mais inteligente: contar a história de Louisa Alcott ao lado da de seus amados personagens.

Nessa cena, Ronan está interpretando Alcott, em vez de Jo March. Gerwig fotografa as duas realidades com iluminação diferente, por isso raramente nos confundimos. As lutas de Louisa são mais sombrias; e as vidas de Jo March e sua família são banhadas em luz e cor, como uma capa de revista sobre costumes. É muito utópico, mas Gerwig faz funcionar através da força de sua crença neste material. Sua direção está comprometida com equilibrio, calor, humor, paixão, drama, claro e escuro.

Alguns anos atrás, Gerwig era uma jovem atriz promissora, com um estilo peculiar que sugeria uma carreira em comédia independente - um pouco como Diane Keaton - mas também era escritora, e em 2017, ela escreveu e dirigiu Lady Bird, com base em sua própria experiência crescendo na Califórnia. Ronan também estrelou o filme, e assim rapidamente Greta virou uma diretora empolgante.

- Quem mais está no elenco, Pedroka?!

Tracy Letts interpreta MrDashwood, e Timothee Chalamet interpreta "Laurie" Laurence, o jovem dividido entre Jo (Ronan) e a irmã mais nova Amy (Florence Pugh). Emma Watson interpreta a irmã mais velha Meg. Eliza Scanlen interpreta Beth, a pacificadora entre as meninas e Meryl Streep como a velha tia March, cujo conselho é que as mulheres se casem bem - a menos que sejam ricas, como ela. Laura Dern é a mãezona March.

Little Women oferece uma análise pura do lugar que as mulheres devem ter na sociedade. Esse diálogo atual está no ritmo da veracidade excêntrica empregado no roteiro, caindo no nosso entendimento e balbuciando como um riacho da montanha. Ronan corre pelas ruas de Nova York a todo vapor, como uma jovem que não deveria fazer isso mas faz porque pode; ela e as irmãs lutam no chão de sua modesta cabana em Concord, Massachusetts para tirar as suas saias da frente do fogão.

Alguns podem achar que esse modernismo #GirlPower é um pouco forçado mas Greta Gerwig evita essa reação através de energia e calor incontroláveis. Cerca de 20 minutos depois do início de filme, as personagens deixam de ser personagens; agora elas são carne e sangue, nossas irmãs. Sentimos sua felicidade e desânimo, seus pés frios e corações quentes, seus desleitos e amores. É uma adaptação magistral, apaixonada e completa.

Em cartaz nos cinemas.

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